O governo brasileiro deu mais um passo relevante no fortalecimento de sua presença internacional ao assinar oito acordos bilaterais com a Índia neste sábado, 21 de fevereiro de 2026. Os documentos foram formalizados após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Narendra Modi, consolidando uma agenda voltada à cooperação tecnológica, científica e econômica entre duas das maiores democracias do mundo.
A iniciativa integra uma estratégia mais ampla do Brasil de diversificar suas parcerias internacionais e fortalecer sua posição em setores considerados essenciais para o futuro da economia global, como minerais críticos, inovação digital e propriedade intelectual. Após a agenda na Índia, Lula segue para Seul, na Coreia do Sul, onde novos acordos também devem ser firmados, ampliando ainda mais o alcance da diplomacia brasileira na Ásia.
Dos oito documentos assinados, seis são memorandos de entendimento, instrumentos utilizados para estabelecer diretrizes de cooperação e alinhar interesses entre os países. Embora não tenham caráter juridicamente vinculante, esses memorandos funcionam como base para futuros contratos e projetos conjuntos, permitindo o desenvolvimento gradual de iniciativas estratégicas.
Entre os acordos, o memorando voltado à cooperação no campo das terras raras e minerais críticos é considerado o mais relevante. Trata-se do primeiro compromisso formal entre Brasil e Índia nessa área, justamente em um momento em que esses recursos ganharam importância central na economia global. As terras raras são essenciais para a produção de tecnologias avançadas, como baterias, semicondutores, turbinas eólicas, veículos elétricos e equipamentos eletrônicos.
O Brasil possui uma das maiores reservas desses minerais no mundo, o que coloca o país em posição estratégica em meio à crescente disputa internacional por acesso a esses recursos. O acordo com a Índia não prevê exportação direta, investimentos imediatos ou metas específicas de produção, mas estabelece um canal de cooperação técnica e científica, com foco na troca de conhecimento, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da cadeia produtiva.
Outro ponto importante foi o acordo entre o Conselho de Pesquisa Científica e Industrial da Índia e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial, que permitirá ao Brasil acessar a Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional indiana. Essa plataforma reúne informações sobre práticas tradicionais, especialmente nas áreas de medicina e biodiversidade, e tem como objetivo proteger esse conhecimento contra apropriações indevidas e estimular a inovação baseada em saberes tradicionais.
Na área da saúde, também foram assinados memorandos envolvendo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e autoridades regulatórias indianas. A cooperação busca harmonizar procedimentos técnicos, fortalecer a regulação sanitária e ampliar o intercâmbio de informações, facilitando o desenvolvimento e a circulação de produtos farmacêuticos e biotecnológicos entre os dois países.
Além disso, os governos firmaram uma declaração conjunta sobre parceria digital, com foco no desenvolvimento tecnológico, inovação e transformação digital. A iniciativa abre caminho para colaboração em áreas como inteligência artificial, infraestrutura digital e segurança cibernética, setores considerados fundamentais para a competitividade econômica nas próximas décadas.
Os acordos refletem uma convergência crescente entre Brasil e Índia, dois países que compartilham desafios semelhantes e possuem economias emergentes com grande potencial de expansão. Ambos buscam fortalecer sua autonomia tecnológica, reduzir dependências externas e ampliar sua influência em um cenário internacional cada vez mais competitivo.
A aproximação também reforça o papel do Brasil como ator relevante no debate global sobre recursos estratégicos e inovação. Ao estabelecer cooperação com a Índia, o país amplia suas possibilidades de desenvolvimento tecnológico e fortalece sua capacidade de transformar recursos naturais em vantagens econômicas sustentáveis.
A agenda internacional do governo brasileiro demonstra uma aposta clara na diplomacia econômica como instrumento de crescimento e inserção global. Ao construir parcerias com países estratégicos, o Brasil busca não apenas ampliar oportunidades comerciais, mas também consolidar sua posição como protagonista em áreas essenciais para o futuro da economia mundial.
Com esses novos acordos, Brasil e Índia iniciam uma nova fase de cooperação, baseada no compartilhamento de conhecimento, no desenvolvimento conjunto e na construção de uma relação mais sólida e estratégica entre duas das principais potências emergentes do século XXI.







































































