Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, a Embraer consolidou um entendimento estratégico com a Adani Defence & Aerospace, braço do conglomerado Adani Group, que registra faturamento anual superior a US$ 37 bilhões. O objetivo é estruturar no país uma linha de montagem do jato regional Embraer E175, modelo que já ultrapassa 790 unidades entregues globalmente.
A iniciativa posiciona a fabricante brasileira no centro de um dos mercados de aviação mais dinâmicos do mundo, com forte potencial de expansão no curto e médio prazos.
Um mercado em rápida expansão
Segundo a International Air Transport Association (IATA), o tráfego aéreo na Ásia cresceu 9% no último ano — ritmo superior ao da Europa (6%) e da América Latina (5,8%). O continente já responde por aproximadamente metade do PIB global em Paridade de Poder de Compra (PPC), consolidando-se como eixo central do crescimento econômico mundial.
Dados da Centre for Aviation (CAPA) indicam que apenas o Sudeste Asiático — excluindo China e Índia — opera atualmente 1.579 aeronaves, com 1.678 novas encomendas em carteira. Mais de 85% dessas aeronaves são de corredor único, segmento no qual os modelos da Embraer competem diretamente.
A Índia como vetor estratégico
A Índia já ocupa a quarta posição no ranking global de transporte aéreo e deve alcançar o terceiro lugar até 2027. O governo de Narendra Modi projeta que, nos próximos 20 anos, o mercado doméstico demandará pelo menos 500 aeronaves para rotas de curta e média distância, com capacidade entre 80 e 146 passageiros — faixa na qual o E175, com 88 assentos, se encaixa com precisão operacional.
A infraestrutura aeroportuária indiana também vive expansão acelerada:
• 74 aeroportos em 2013
• 140 em 2023
• 147 em 2025 (34 com voos internacionais)
• Meta de 220 aeroportos comerciais até 2028
Paralelamente, as principais companhias aéreas do país vêm realizando encomendas recordes. A Air India fechou contrato para 470 aeronaves (250 da Airbus e 220 da Boeing), enquanto a IndiGo encomendou 540 aviões da Airbus. As entregas ocorrerão gradualmente nos próximos anos, ampliando significativamente a capacidade operacional do país.
Estratégia industrial e geoeconômica
Ao buscar presença industrial local por meio de parceria com o grupo Adani, a Embraer adota uma estratégia alinhada às prioridades indianas de fortalecimento da produção doméstica e transferência tecnológica. O movimento também reduz barreiras comerciais, aumenta competitividade e aproxima a empresa das decisões de frota das companhias asiáticas.
A consolidação de uma linha de montagem na Índia não representa apenas expansão comercial, mas inserção estratégica em uma região que concentra crescimento demográfico, urbanização acelerada e aumento consistente da classe média — fatores que sustentam a demanda por transporte aéreo regional.
Embraer além do caso brasileiro
Frequentemente citada como exemplo de excelência industrial no Brasil, a Embraer demonstra, nesse movimento, sua capacidade de competir globalmente em um setor dominado por gigantes como Airbus e Boeing. A empresa atua em nichos específicos com elevada eficiência tecnológica, modelo de negócios flexível e forte integração internacional.
A aposta na Índia, portanto, não é apenas comercial — é geoestratégica. Em uma Ásia que se consolida como centro de gravidade da economia mundial, estabelecer presença produtiva local pode ser determinante para ampliar participação de mercado e garantir relevância de longo prazo no setor aeronáutico global.








































































