As declarações do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reforçam o tom de realismo e prudência que Moscou vem adotando diante das negociações trilaterais envolvendo Rússia, Estados Unidos e Ucrânia. Ao afirmar que seria “errado esperar grandes resultados” no curto prazo, o governo russo sinaliza que enxerga o processo como complexo, prolongado e distante de soluções imediatas para o conflito.
A fala de Peskov deixa claro que Moscou não trabalha com a hipótese de uma reaproximação política ou diplomática entre as partes. A própria admissão de que é “pouco possível uma relação amistosa” nas negociações evidencia que o diálogo ocorre mais por necessidade estratégica do que por convergência de interesses. Ainda assim, o Kremlin indica disposição em tentar obter avanços pontuais, mesmo em um ambiente marcado por desconfiança mútua.
Outro ponto central é a recusa em discutir publicamente temas concretos da agenda. Essa postura reflete tanto a sensibilidade das questões em debate — especialmente segurança e disputas territoriais — quanto uma estratégia de controle narrativo, evitando pressões externas ou interpretações prematuras que possam comprometer o processo.
No conjunto, as declarações sugerem que Moscou vê as negociações mais como um canal para administrar o conflito e testar limites do diálogo com Washington do que como um caminho rápido para um acordo de paz. Ao reduzir expectativas, o Kremlin se protege politicamente de frustrações e mantém margem de manobra em um cenário geopolítico ainda altamente instável.








































































