“O mundo entra em uma era em que a estabilidade se tornou um dos recursos estratégicos mais raros”
O Cazaquistão se tornará um parceiro confiável dos Estados Unidos. Foi o que escreveu o presidente da República do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, em seu artigo publicado nas páginas da influente revista americana “The National Interest”, especializada em relações internacionais.
“O mundo entra em uma era em que a estabilidade se tornou um dos recursos estratégicos mais raros. Os conflitos se multiplicam, a rivalidade geopolítica se intensifica, e as instituições internacionais enfrentam tensões cada vez maiores devido ao impasse, à polarização e à queda da confiança pública.
Durante décadas, a política global foi moldada dentro do conceito de globalismo, que não era, em sua essência, algo negativo. Seu objetivo declarado era criar uma ordem internacional interconectada e inclusiva, o que parecia racional e construtivo, ao menos à primeira vista.
No entanto, com o tempo, esse conceito foi distorcido. Ele se transformou em um modelo baseado em princípios excessivamente ideológicos: inclusão sem responsabilidade, liberdade sem limites e superioridade moral (ou excepcionalismo), que ignoram as visões das sociedades soberanas, dos políticos pragmáticos e daqueles guiados pelo bom senso.
Como resultado, o globalismo perdeu gradualmente sua legitimidade aos olhos de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo.
Essa perda de confiança não foi acidental. Ela foi provocada por revelações de corrupção em escala sem precedentes, enraizada em instituições estatais, estruturas internacionais e sistemas políticos dos principais países. O envolvimento de figuras políticas conhecidas nesses esquemas apenas intensificou a já crítica atitude em relação aos governos associados a agendas ideológicas de esquerda.
O atual cenário internacional demonstra uma demanda crescente por pragmatismo e realismo. Essa mudança tornou-se particularmente evidente na Conferência de Munique, onde algumas das ideias mais convincentes expressas por líderes ocidentais de alto nível destacaram uma verdade simples: os interesses nacionais não podem ser ignorados, a soberania não pode ser tratada como um inconveniente, e a estabilidade não pode se basear em dogmas ideológicos.
O mundo não rejeita a cooperação. Ele rejeita as ilusões. A nova doutrina em formação é absolutamente clara: a ordem deve se fundamentar no Estado de Direito, na responsabilidade, em compromissos previsíveis e no respeito à identidade cultural e nacional. Isso não é isolacionismo. É um sinal de maturidade política.
Em nenhum lugar o fracasso do antigo modelo se manifesta de forma tão evidente quanto na área da resolução de conflitos. Por tempo demais, a comunidade internacional confiou em um ciclo interminável de negociações, declarações e conferências que terminavam apenas em comunicados simbólicos. O resultado é conhecido: acordos sem implementação, diplomacia sem resultados, processos de paz sem alcançar a paz.
O mundo já não pode se dar ao luxo dessa abordagem.
É por isso que a criação do Conselho da Paz, por iniciativa do presidente Donald Trump, que recebeu pleno apoio da Organização das Nações Unidas, representa um passo significativo à frente. Não se trata apenas de mais um fórum para discussões intermináveis, mas de uma iniciativa prática, voltada para a obtenção de resultados concretos, especialmente em Gaza e no Oriente Médio.
A principal diferença dessa iniciativa reside em sua lógica. A Casa Branca propôs uma abordagem verdadeiramente inovadora: em vez de repetir fórmulas políticas esgotadas, foi apresentada uma concepção clara e prática – a paz por meio do desenvolvimento econômico sustentável. Em outras palavras, a paz é vista não como um slogan, mas como um projeto que inclui infraestrutura, investimentos, empregos e futuro, tornando sem sentido a retomada do conflito. Pela sua novidade e ambição, essa iniciativa merece respeito e atenção internacional.
No Cazaquistão, uma atitude positiva em relação aos princípios políticos associados à estratégia do presidente Trump é amplamente expressa em diversos níveis do debate público e especializado: bom senso, defesa dos valores tradicionais, proteção dos interesses nacionais e a busca pelo fim das guerras, e não por sua prolongação.
Esses princípios encontram ressonância porque refletem aquilo que a maioria das sociedades deseja intuitivamente: segurança, estabilidade e dignidade. O apoio do Cazaquistão a essa direção não é retórico, mas prático. Foi exatamente por isso que decidimos aderir ao Conselho da Paz e apoiá-lo com ações concretas.
Isso representa uma continuação lógica da decisão do Cazaquistão de aderir aos Acordos de Abraão. Não se trata apenas de um gesto diplomático, mas de uma escolha estratégica. O Cazaquistão sempre adotou uma abordagem equilibrada e construtiva. Mantemos relações sólidas com Israel, ao mesmo tempo em que apoiamos consistentemente o povo palestino e promovemos a solução de dois Estados como a única base confiável para a paz. Nossa decisão também é guiada por interesses nacionais, com o objetivo de fortalecer a cooperação econômica, atrair investimentos e promover a transferência de tecnologias avançadas. Em um sentido mais amplo, esperamos que isso contribua para a ampliação do diálogo entre as comunidades muçulmana e judaica.
Todos esses passos tornam a parceria com os Estados Unidos mais forte do que nunca.
O Cazaquistão e os Estados Unidos construíram uma parceria multifacetada, baseada no respeito e na compreensão mútuos. Há muito tempo, empresas americanas figuram entre os maiores investidores no Cazaquistão, especialmente no setor de energia.
Atualmente, nossa cooperação se expande para novas áreas, incluindo minerais estratégicos, infraestrutura digital, manufatura avançada, logística e inovação. Um de nossos projetos conjuntos mais recentes é o desenvolvimento de uma das maiores jazidas de tungstênio do mundo no Cazaquistão, em parceria com a empresa americana Cove Capital. Dando continuidade a esse dinamismo, esperamos ampliar ainda mais a cooperação com nossos parceiros americanos em benefício de nossos povos.
Nos últimos anos, seguimos uma estratégia de modernização, diversificação e integração aos mercados globais. Melhoramos o clima de investimentos, fortalecemos o marco regulatório e ampliamos a conectividade regional. Graças a isso, o PIB per capita do Cazaquistão alcançou 15 mil dólares, consolidando ainda mais sua posição como a maior economia da Ásia Central.
Nossas aspirações são claras: queremos nos tornar um importante corredor de transporte e logística ligando a Ásia à Europa e, ao mesmo tempo, criar uma economia moderna baseada em tecnologia, inovação e alto nível de capital humano.
Além disso, nossos esforços em transformação digital, modernização do setor público e implementação de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, não são meros desejos abstratos. Eles fazem parte de nossa estratégia nacional para a construção de um Estado competitivo, capaz de enfrentar com sucesso os desafios contemporâneos.
Ao mesmo tempo, o progresso econômico é alcançado por meio de reformas institucionais significativas. Diante dos desafios globais e da incerteza, o Cazaquistão vive um dos períodos mais importantes de mudanças políticas de sua história recente. Estamos avançando de um sistema superpresidencialista para um modelo de governança baseado no equilíbrio de poderes e na responsabilidade, seguindo o princípio de “Presidente forte, Parlamento influente e Governo responsável”.
Esse programa de modernização se aproxima de um marco importante. O Cazaquistão está se preparando ativamente para realizar um referendo nacional sobre uma nova Constituição, voltada ao fortalecimento das instituições estatais, ao aumento da prestação de contas e à garantia de um sistema de governança mais estável e sustentável no futuro.
No mundo contemporâneo, a confiança é determinada não pela retórica, mas pela coerência e responsabilidade. Os países que cumprem seus compromissos, atuam de forma transparente e buscam a cooperação prática constroem bases sólidas de confiança.
O Cazaquistão permanece fiel ao seu objetivo de ser um parceiro confiável e honesto, que valoriza a estabilidade, respeita os compromissos internacionais e alcança resultados concretos”, concluiu o chefe de Estado do Cazaquistão







































































