A controvérsia envolvendo a relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos, Francesca Albanese, ganhou dimensão diplomática nesta semana, após a Alemanha se somar à França no pedido por sua renúncia.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, declarou que Albanese já teria feito “inúmeros comentários inadequados” no passado e afirmou que suas recentes declarações sobre Israel a tornam inapta para o cargo.
Pressão política na França
A crise teve início após parlamentares franceses enviarem uma carta ao chanceler francês, Jean-Noël Barrot, acusando a relatora de declarações consideradas antissemitas e solicitando que Paris atuasse para sua destituição de funções no âmbito das Nações Unidas.
Segundo os deputados, Albanese teria descrito “Israel como inimigo comum da humanidade” durante um discurso público. Questionado no Parlamento, Barrot classificou as declarações como “ultrajantes e repreensíveis”, argumentando que extrapolariam a crítica às políticas do governo israelense e atingiriam o Estado e o povo de Israel como um todo — algo que considerou inaceitável.
Defesa da relatora
Albanese rejeita as acusações. Em entrevista ao canal France 24, afirmou que suas declarações foram distorcidas. Segundo ela, ao participar por videoconferência de um fórum organizado em Doha pela Al Jazeera, referiu-se a um “inimigo comum” não como Israel enquanto nação, mas como um sistema internacional que, em sua visão, impede a responsabilização por crimes cometidos em Gaza.
A relatora sustenta que criticou políticas e ações que classifica como apartheid e genocídio, mas nega ter caracterizado Israel como “inimigo da humanidade”.
Reação jurídica e debate institucional
A controvérsia também gerou repercussão no meio jurídico francês. A associação Juristas pelo Respeito ao Direito Internacional (Jurdi) anunciou ter apresentado queixa ao Ministério Público de Paris por “divulgação de informações falsas”, alegando que declarações teriam sido atribuídas de forma fraudulenta à relatora.
Para a entidade, a situação levanta questionamentos sobre a independência dos mecanismos da ONU e sobre a responsabilidade de autoridades públicas na disseminação de informações precisas.
Parlamentares e lideranças ambientais francesas também encaminharam carta ao ministro Barrot solicitando esclarecimentos e a retirada do pedido de renúncia. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês reiterou que a posição do governo se baseia no conjunto de declarações feitas por Albanese ao longo dos últimos anos.
Implicações diplomáticas
O episódio ocorre em um contexto internacional sensível, marcado por forte polarização em torno do conflito entre Israel e Hamas e por crescente escrutínio sobre a atuação de relatores independentes da ONU.
Ao se alinhar à França, a Alemanha reforça a pressão política sobre Albanese e amplia o alcance diplomático da controvérsia, que pode ter desdobramentos tanto no Conselho de Direitos Humanos da ONU quanto nas relações europeias com Israel







































































