A família Al Thani, que governa o Qatar há mais de um século, está hoje entre os grupos familiares mais ricos do planeta. Estimativas internacionais apontam que o clã ocupa a terceira colocação no ranking das maiores fortunas familiares do mundo, com patrimônio avaliado em cerca de US$ 172 bilhões — o equivalente a aproximadamente R$ 913 bilhões. A base dessa riqueza está diretamente ligada à exploração de gás natural e petróleo, pilares da economia do pequeno, porém extremamente próspero, país do Oriente Médio.
No ranking global, os Al Thani aparecem atrás apenas de outras duas dinastias árabes. No topo está a Casa de Saud, que governa a Arábia Saudita desde 1744 e reúne uma fortuna estimada em US$ 1,4 trilhão, valor superior ao Produto Interno Bruto de economias como México, Holanda e Bélgica. Na segunda posição figura a família Sabah, no poder no Kuwait há mais de 270 anos, com patrimônio avaliado em US$ 360 bilhões, grande parte aplicada em ativos e empresas nos Estados Unidos.
O coração financeiro da monarquia qatari está no Qatar Investment Authority (QIA), o fundo soberano do país e um dos maiores do mundo. Por meio dele, a família Al Thani controla a Qatar Sports Investments (QSI), holding que detém o Paris Saint-Germain, o que torna a monarquia, na prática, proprietária do clube francês.
A atuação do QIA vai muito além do futebol. O fundo mantém participações relevantes em grandes companhias globais, como Barclays, British Airways e Volkswagen, além de ativos emblemáticos no setor imobiliário. Entre eles estão a tradicional loja de departamentos Harrods, em Londres, o arranha-céu Shard — o mais alto da Europa — e até uma participação no Empire State Building, em Nova York.
Quem lidera o Qatar hoje?
Desde 2013, o comando do país está nas mãos do emir Tamim bin Hamad bin Khalifa Al Thani, atualmente com 45 anos. Ele assumiu o poder após a abdicação voluntária de seu pai, um processo raro entre as monarquias do Oriente Médio. Nascido em Doha, em 1980, Tamim é filho do ex-emir Hamad bin Khalifa Al Thani e da xeica Mozah bint Nasser, uma das figuras femininas mais influentes do país.
Educado no Reino Unido, Tamim estudou na Sherborne School e na Harrow School, antes de ingressar na Real Academia Militar de Sandhurst, onde se formou em 1998. Após concluir sua formação militar, passou a integrar as Forças Armadas do Qatar e assumiu cargos estratégicos ligados à segurança e à gestão econômica, preparando-se gradualmente para a sucessão.
Perfil reservado e poder consolidado
Analistas descrevem o emir como um líder pragmático e cauteloso, que mantém relações próximas com potências ocidentais, como Estados Unidos e França, sem abrir mão de valores tradicionais do islamismo. Sua imagem interna foi significativamente fortalecida durante a crise diplomática de 2017, quando o Qatar enfrentou um bloqueio regional e Tamim se tornou um símbolo de unidade nacional.
O emir é casado com três esposas e tem 13 filhos, o que garante a continuidade da dinastia Al Thani. Com sua primeira esposa, Sheikha Jawaher bint Hamad, com quem se casou em 2005, teve quatro filhos: Sheikha Almayassa, Sheikh Hamad, Sheikha Aisha e Sheikh Jassim.
De seu casamento, em 2009, com Anoud bint Mana Al Hajri, nasceram cinco filhos: Sheikha Naylah, Sheikh Abdullah, Sheikha Rodha, Sheikh Alqaqaa e Sheikha Moza.
Já com sua terceira esposa, Noora bint Hathal Al Dosari, com quem se casou em 2014, o emir teve mais quatro filhos: Sheikh Joaan, Sheikh Mohammed, Sheikh Fahad e Sheikha Hind.
Pela Constituição do Qatar, o poder é hereditário e restrito aos descendentes da família Al Thani. Em 2014, Tamim nomeou seu meio-irmão Abdullah bin Hamad Al Thani como vice-emir, posição que o coloca como herdeiro presuntivo até que um de seus filhos seja oficialmente designado sucessor.







































































