As autoridades do Panamá assumiram, nesta segunda-feira (23), o controle dos portos de Balboa e Cristóbal, localizados nas duas extremidades do Canal do Panamá. A medida ocorreu após a decisão da Suprema Corte de Justiça do Panamá, que declarou inconstitucional a concessão mantida pela empresa ligada ao grupo asiático CK Hutchison Holdings.
A decisão encerra quase 30 anos de operação privada dos terminais pela companhia estrangeira e representa uma mudança significativa no controle de uma das rotas logísticas mais importantes do mundo. Os portos de Balboa, no Oceano Pacífico, e Cristóbal, no Oceano Atlântico, são considerados estratégicos por estarem posicionados nas entradas do canal, responsável por conectar os dois oceanos e facilitar o comércio global.
Segundo Max Flórez, diretor de Portos e Indústrias Marítimas Auxiliares da Autoridade Marítima do Panamá, o governo assumiu oficialmente as operações e garantiu que os serviços continuarão funcionando normalmente. O objetivo é assegurar estabilidade logística e evitar interrupções no fluxo de cargas que passam pelo canal.
A decisão judicial foi contestada pela Panama Ports Company, subsidiária da Hutchison responsável pela administração dos terminais. A empresa classificou a medida como ilegal e indicou que poderá buscar recursos ou mecanismos internacionais para contestar a decisão.
O caso também ganhou dimensão geopolítica. Os Estados Unidos comemoraram a decisão, interpretando-a como uma redução da influência indireta da China em um ponto considerado vital para o comércio internacional. O Canal do Panamá é uma infraestrutura crítica para o transporte marítimo global e possui relevância estratégica tanto econômica quanto militar.
Especialistas apontam que o controle dos portos pode reforçar a soberania panamenha sobre seus ativos logísticos e alterar o equilíbrio de influência entre potências globais na região. A medida também pode abrir espaço para novos modelos de concessão ou gestão, dependendo das decisões futuras do governo do Panamá.
A retomada do controle dos portos ocorre em um momento de crescente disputa internacional por rotas comerciais e infraestrutura estratégica, reforçando a importância do Canal do Panamá no cenário geopolítico e econômico mundial.








































































