O dólar encerrou a sexta-feira (9) em queda no mercado brasileiro, refletindo um ambiente externo mais favorável e sinais positivos no comércio internacional. A moeda norte-americana recuou 0,42%, fechando o dia cotada a R$ 5,36, em um movimento influenciado principalmente por dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos e pelos avanços no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
Nos Estados Unidos, os números divulgados sobre o emprego surpreenderam negativamente. Em dezembro, foram criadas apenas 50 mil vagas, bem abaixo das expectativas do mercado, o que reforçou a percepção de desaceleração da maior economia do mundo. Esse cenário aumentou as apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá iniciar um ciclo de redução dos juros nos próximos meses, ainda que analistas avaliem que esses cortes não devem ocorrer de forma imediata.
Além do fator externo, o mercado reagiu de forma positiva ao avanço nas negociações comerciais entre o Mercosul e a União Europeia. Após 25 anos de tratativas, o acordo de livre comércio foi aprovado pelo bloco europeu e é visto como um marco histórico, com potencial para criar a maior área de livre comércio do mundo em termos de fluxo financeiro, envolvendo mais de 700 milhões de consumidores.
O acordo prevê a redução gradual de tarifas para 91% dos produtos importados pelo Mercosul da Europa e para 92% das exportações do bloco sul-americano ao mercado europeu, ao longo de um período de 10 a 15 anos. A expectativa é de uma economia anual de cerca de 4 bilhões de euros em impostos de importação.
Entre os principais destaques do pacto estão a eliminação de tarifas sobre produtos europeus como vinhos, atualmente taxados em 27%, destilados, com alíquotas de 35%, e chocolates, que hoje pagam cerca de 20%. Em contrapartida, o Mercosul reconhecerá 350 denominações de origem de alimentos e bebidas europeias, como champanhe e queijos tradicionais. Já a União Europeia estabelecerá cotas de importação para produtos do Mercosul, incluindo carne bovina, frango, suínos, açúcar e etanol.
O movimento do câmbio ocorreu em um contexto de maior otimismo nos mercados domésticos. Na semana, o Ibovespa acumulou alta próxima de 2%, enquanto o dólar recuou cerca de 1%, refletindo uma combinação de fatores externos mais benignos e expectativas positivas em relação ao comércio internacional.
O avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia é interpretado pelos investidores como um importante contraponto em um cenário global ainda marcado por tensões comerciais e geopolíticas, contribuindo para melhorar a percepção sobre economias emergentes, como a brasileira.







































































