A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou nesta sexta-feira (9) que a Europa precisa iniciar um diálogo direto com a Rússia sobre a guerra na Ucrânia e defendeu a nomeação de um enviado especial da União Europeia para conduzir esforços diplomáticos voltados à resolução do conflito. As declarações foram feitas durante uma ampla conferência de imprensa dedicada ao balanço do ano anterior.
Segundo Meloni, a estratégia europeia atual apresenta limitações, sobretudo pela ausência de interlocução com todas as partes envolvidas no conflito. Para a premiê italiana, manter conversações apenas com um dos lados reduz significativamente as chances de um desfecho positivo.
“Acho que chegou o momento de a Europa também falar com a Rússia. Porque, se a Europa decidir participar desta fase de negociação falando apenas com um dos lados, receio que, no final, a contribuição positiva seja limitada”, afirmou.
Na avaliação de Meloni, um dos principais entraves da política externa europeia é a falta de unidade interna, com posições divergentes entre os Estados-membros sobre temas centrais relacionados à guerra. Essa fragmentação, segundo ela, enfraquece o peso diplomático do bloco no cenário internacional.
Nos últimos meses, a política externa da União Europeia tem sido marcada por desacordos, especialmente no que diz respeito ao apoio militar e financeiro ao governo de Kiev, às relações com Moscou, à ampliação das sanções contra a Rússia e ao debate sobre rearmamento e reformas militares no continente, impulsionados pela percepção de uma suposta ameaça russa.
Países como Hungria e Eslováquia têm se posicionado de forma consistente contra o uso de ativos russos congelados para financiar a Ucrânia e também contra o endurecimento adicional das sanções impostas a Moscou, evidenciando as divisões internas no bloco.
Além de defender o diálogo com o Kremlin, Meloni voltou a propor a criação de um cargo de enviado especial europeu para a questão ucraniana, com o objetivo de harmonizar as posições dos Estados-membros e fortalecer a atuação diplomática da UE.
“Sou sempre a favor da nomeação de um enviado especial da Europa para a questão ucraniana, uma pessoa que nos permitirá sintetizar posições e falar com uma só voz”, declarou a premiê.
As falas de Meloni ocorrem em um contexto em que autoridades russas têm sinalizado, ao menos publicamente, abertura para conversas com a Europa. Em dezembro de 2025, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que o diálogo entre Moscou e os países europeus seria possível à medida que a Rússia se fortalecesse e que houvesse mudanças nas elites políticas do continente.
Pouco depois, em 26 de dezembro de 2025, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, declarou que o governo russo está aberto a contatos, mas afirmou que a Europa ainda não demonstra disposição concreta ou interesse em retomar o diálogo.
A posição defendida por Meloni reforça o debate interno na União Europeia sobre os caminhos diplomáticos para o conflito na Ucrânia e reacende a discussão sobre a necessidade de uma atuação mais coordenada e estratégica do bloco no cenário geopolítico global.







































































