A Embraer inicia 2026 com perspectivas positivas, após entregar mais um ano de desempenho acima das expectativas do mercado. Segundo análise do BTG, a companhia demonstrou execução consistente em 2025, com destaque para o avanço na área de Defesa e um volume robusto de entregas, sustentando uma trajetória favorável em meio a um cenário global ainda desafiador para a indústria aeronáutica.
O banco ressalta que 2025 foi marcado por um recorde de vendas na aviação comercial, além da assinatura de contratos relevantes na divisão de Defesa. A forte atuação comercial em grandes eventos internacionais, como o Paris Air Show, também contribuiu para o bom desempenho do período.
Mesmo com fatores adversos, como a valorização do real e o impacto de novas tarifas de importação nos Estados Unidos, a Embraer conseguiu manter um ritmo sólido de entregas. Esse desempenho operacional, segundo os analistas, impulsionou uma nova rodada de valorização das ações ao longo do ano.
Para 2026, o BTG projeta a continuidade desse bom momento, especialmente na aviação comercial. O cenário de restrições de oferta global no segmento de aeronaves de corredor único tende a beneficiar fabricantes alternativos, abrindo espaço para novas campanhas de vendas. A área de Defesa aparece novamente como um dos principais pilares da tese de investimento, apoiada pelo aumento das tensões geopolíticas e pela expansão dos orçamentos militares em regiões onde a Embraer já possui presença consolidada.
Outro ponto acompanhado de perto pelo mercado é o avanço do projeto de eVTOL, conduzido pela subsidiária EVE. O desenvolvimento do negócio, sobretudo nas etapas de testes e certificação, é visto como uma frente estratégica relevante para o médio e longo prazo.
O BTG mantém a Embraer entre suas principais apostas para exposição ao dólar, citando a dinâmica favorável entre oferta e demanda no setor aeronáutico. O banco observa ainda que manter posição nas ações antes da divulgação dos resultados do quarto trimestre — tradicionalmente o período de maior volume de entregas — tem se mostrado uma estratégia recorrente nos últimos anos.
Entre os principais gatilhos de mercado estão novos anúncios de pedidos, com atenção especial à rentabilidade dessas encomendas, a persistência das limitações produtivas de concorrentes como Boeing e Airbus, a aceleração das entregas e possíveis atualizações sobre o processo de certificação da EVE.
O cenário geopolítico segue como variável relevante na avaliação do banco, tanto pelo impacto de tarifas quanto pela possibilidade de uma eventual redução das tensões globais, que poderia aliviar pressões sobre os orçamentos militares. Também são citados riscos relacionados à cadeia de suprimentos, à concorrência do A220, da Airbus, e à execução do plano de expansão da produção de jatos executivos.
Do ponto de vista macroeconômico, o BTG avalia que a alavancagem deixou de ser um fator de preocupação, após um processo consistente de desalavancagem nos últimos anos. O principal risco externo passa a ser uma valorização adicional do real, que poderia reduzir marginalmente a competitividade das exportações.
Em termos de valuation, o banco destaca que a Embraer negocia a cerca de 12 vezes o EV/EBITDA estimado para 2026, ainda com desconto relevante em relação a pares globais. Dados do InvestingPro reforçam a leitura positiva: a companhia apresenta nível moderado de endividamento, forte desempenho acumulado nos últimos cinco anos, “momentum” positivo e uma saúde financeira classificada como excelente.
Apesar do desempenho recente, a Embraer ainda não é consenso entre gestores. Investidores locais mantêm uma postura mais cautelosa, enquanto estrangeiros — especialmente europeus — demonstram maior interesse na divisão de Defesa. Para o BTG, o atual patamar de crescimento e retornos abre espaço para uma reprecificação gradual do papel ao longo do tempo.







































































