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Home Diplomacia Política

EUA ampliam pressão sobre o Irã e prometem sanções econômicas sem precedentes

by Fabiana Ceyhan
21 de agosto de 2026
Tempo de leitura:7 min

Os Estados Unidos anunciaram uma nova escalada na pressão econômica contra o Irã. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington pretende aplicar as sanções mais severas da história contra Teerã, em uma estratégia que busca aumentar o isolamento econômico do país.

A declaração ocorreu após o presidente Donald Trump ameaçar adotar medidas contra governos, empresas e instituições financeiras que continuarem oferecendo apoio ao Irã. Segundo Bessent, os detalhes do novo pacote de sanções deverão ser apresentados na segunda-feira (24). 

A iniciativa acontece em meio à continuidade do conflito no Oriente Médio e às preocupações com a circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas estratégicas para o comércio mundial de energia.

Washington promete ampliar o cerco econômico

Bessent afirmou que a nova estratégia representa uma combinação entre o bloqueio imposto aos portos iranianos e um pacote de sanções financeiras ainda mais abrangente.

Segundo o secretário, a intenção é exercer uma política de “máxima pressão econômica” sobre o governo iraniano, reduzindo sua capacidade de financiar atividades internas e externas.

O governo americano também pretende pressionar aliados e outros países para que reduzam suas relações econômicas com Teerã.

Trump já havia declarado que qualquer país que oferecesse apoio considerado essencial ao Irã poderia enfrentar consequências econômicas significativas.

Sanções podem atingir petróleo e operações financeiras

Embora todos os detalhes ainda não tenham sido divulgados, a estratégia americana deve aumentar a pressão sobre setores fundamentais para a economia iraniana.

Entre os principais pontos de atenção estão as operações financeiras, a comercialização de petróleo e o transporte marítimo relacionado às exportações iranianas.

A medida pode afetar empresas estrangeiras que mantenham relações comerciais com Teerã, especialmente aquelas que dependem do sistema financeiro americano ou possuem negócios nos Estados Unidos.

O objetivo de Washington é dificultar a geração de receitas pelo governo iraniano e limitar sua capacidade de financiar atividades consideradas estratégicas.

Estreito de Ormuz aumenta preocupação internacional

A crise possui uma dimensão que ultrapassa as relações entre Washington e Teerã.

O Estreito de Ormuz é uma das principais passagens marítimas utilizadas para o transporte de petróleo e derivados no mundo. Antes do agravamento do conflito, aproximadamente um quinto do petróleo comercializado globalmente passava pela região. 

Qualquer restrição prolongada à navegação pode provocar impactos sobre os preços internacionais da energia e aumentar os custos de transporte e produção em diferentes países.

Nas últimas semanas, o petróleo já reagiu às novas ameaças de sanções e às incertezas relacionadas ao fluxo de energia no Golfo.

Petróleo reage à escalada das tensões

Os mercados internacionais acompanharam com atenção as declarações de Washington.

Na quinta-feira (20), o petróleo registrou alta superior a 2%, chegando ao maior nível em mais de três semanas. Nesta sexta-feira, porém, o Brent recuava 0,6%, sendo negociado próximo de US$ 93,20 por barril. 

A volatilidade reflete a preocupação dos investidores com a possibilidade de novas interrupções no fornecimento de petróleo do Oriente Médio.

O cenário também aumenta a pressão sobre países importadores de energia, que podem enfrentar custos maiores caso a crise se prolongue.

Irã classifica medidas como “terrorismo econômico”

O governo iraniano rejeitou as novas ameaças americanas.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou a política de Washington como uma forma de terrorismo econômico e acusou os Estados Unidos de utilizar as sanções para pressionar a população iraniana.

Teerã também afirma que a estratégia americana ameaça a soberania de outros países ao tentar obrigá-los a interromper relações comerciais com o Irã.

O governo iraniano sustenta ainda que a continuidade das políticas de pressão econômica não resolverá as divergências entre os dois países.

Irã promete resposta diante de novas medidas

A escalada econômica também provocou uma reação mais dura de autoridades iranianas.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Ali Abdollahi, afirmou que qualquer nova ameaça americana receberia uma resposta que classificou como “esmagadora” e “devastadora”. 

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, por outro lado, defendeu o encerramento do conflito e afirmou que Teerã estaria em uma posição de força.

As declarações mostram a combinação de dois movimentos: a manutenção da capacidade de resposta militar e a tentativa de buscar uma saída para o conflito.

Trump aumenta pressão sobre países que apoiam Teerã

A estratégia americana não está limitada ao governo iraniano.

Trump advertiu que países que permitirem que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam apoio considerado vital ao Irã também poderão sofrer consequências econômicas.

A ameaça aumenta a pressão sobre governos que mantêm relações comerciais com Teerã.

Entre eles está a China, atualmente o principal comprador do petróleo iraniano transportado por via marítima.

China entra no centro da disputa

Segundo dados da empresa de análise Kpler referentes a 2025, a China compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã. 

A dimensão dessa relação comercial torna Pequim um elemento fundamental para a eficácia da nova estratégia americana.

Bessent pediu que os chineses cooperem com Washington e afirmou que seria de interesse da China contribuir para a reabertura do Estreito de Ormuz e para a redução dos preços da energia.

No entanto, uma ampliação das sanções contra empresas chinesas poderia abrir uma nova frente de tensão entre Washington e Pequim.

Risco de nova disputa entre EUA e China

Uma eventual tentativa americana de punir diretamente empresas chinesas que negociem com o Irã poderia provocar retaliações.

China e Estados Unidos possuem uma relação econômica complexa e dependem mutuamente de diferentes cadeias de fornecimento.

Pequim também possui grande interesse na estabilidade dos mercados de energia, já que uma parcela significativa de seu abastecimento energético depende do Golfo.

A China tem defendido soluções políticas e diplomáticas para a crise e criticado o uso de sanções como instrumento para resolver conflitos internacionais. 

Quase cinco décadas de sanções

O Irã convive com sanções americanas severas há décadas.

As medidas econômicas contra Teerã se intensificaram após a Revolução Islâmica de 1979 e foram ampliadas em diferentes períodos por causa de disputas relacionadas ao programa nuclear iraniano, segurança regional e política externa.

A nova ofensiva de Washington, portanto, representa uma intensificação de uma política de pressão que já dura quase meio século.

Estratégia busca evitar nova ofensiva militar

Apesar do tom agressivo, Bessent afirmou que a pressão econômica poderia reduzir a necessidade de uma nova operação militar americana de grande escala.

Para o secretário, aumentar o custo econômico para o Irã seria uma alternativa à retomada de ações militares mais amplas.

O problema é que a própria política de sanções pode aumentar as tensões e provocar novas respostas de Teerã.

O equilíbrio entre pressão econômica e risco de escalada militar passa a ser um dos principais desafios para Washington.

Cessar-fogos anteriores não conseguiram encerrar o conflito

Estados Unidos e Irã chegaram a anunciar acordos de cessar-fogo em abril e junho, mas as tentativas fracassaram rapidamente.

O objetivo dessas iniciativas era reduzir os confrontos, restabelecer a navegação pelo Estreito de Ormuz e criar condições para uma solução mais duradoura.

A continuidade das hostilidades demonstra, porém, que as negociações ainda não conseguiram estabelecer um acordo capaz de encerrar a crise.

Omã tenta atuar como mediador

As negociações também envolvem Omã, país que mantém relações tanto com Washington quanto com Teerã.

O governo omanita vem participando de discussões relacionadas à administração e à segurança do Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, defendeu que a segurança permanente da região depende de uma solução política e rejeitou novas iniciativas que possam ampliar a escalada. 

Nova etapa da crise entre Washington e Teerã

A promessa de novas sanções coloca a relação entre Estados Unidos e Irã diante de mais uma fase de tensão.

Washington pretende utilizar o peso do sistema financeiro internacional, o controle sobre fluxos comerciais e a influência sobre aliados para ampliar o isolamento de Teerã.

O Irã, por sua vez, rejeita a estratégia e ameaça responder às novas medidas.

O impacto da disputa, entretanto, pode ultrapassar as fronteiras dos dois países, especialmente por causa do petróleo, do comércio marítimo e da importância estratégica do Golfo.

Sanções podem afetar economia global

Caso as novas medidas reduzam significativamente as exportações iranianas ou dificultem a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz, o mercado internacional de energia poderá sofrer novas pressões.

Uma alta prolongada do petróleo tende a aumentar os custos de transporte, produção industrial e combustíveis, afetando países importadores.

Por isso, a próxima etapa anunciada pelo governo americano será acompanhada de perto por governos, bancos, empresas de energia e mercados financeiros.

A apresentação dos detalhes das sanções, prevista para segunda-feira (24), deverá indicar até onde Washington pretende levar sua política de pressão máxima contra o Irã.

Tags: Chinacomércio internacionalconflito EUA Irãcrise no Oriente MédioDonald Trumpeconomia iranianaEstados Unidos e IrãEstreito de OrmuzEUAgoverno Trumpguerra econômicairãmercado de petróleooriente médioPetróleopetróleo iranianopolítica externa americanarelações internacionaissanções contra o Irãsanções econômicassanções internacionaisScott BessentTeerãtensão internacionalWashington
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