Um dos caças Chengdu J-10CE associados à Força Aérea do Uzbequistão foi fotografado durante um voo de testes na China, em imagens que rapidamente ganharam repercussão entre especialistas e observadores da aviação militar.
O registro é considerado particularmente relevante porque pode representar uma das primeiras imagens de alta qualidade de uma aeronave J-10CE identificada como pertencente ao Uzbequistão. A fotografia foi compartilhada nas redes sociais e analisada por especialistas em aviação militar chinesa.
A aparição ocorre em meio às informações sobre a aquisição de caças chineses por Tashkent e reforça os indícios de que o país da Ásia Central está avançando na modernização de sua aviação de combate.
J-10CE aparece em testes na China
A aeronave foi registrada enquanto realizava atividades de voo em território chinês. Segundo análises divulgadas após a publicação das imagens, trata-se provavelmente de um dos primeiros J-10CE destinados à Força Aérea do Uzbequistão.
O pesquisador especializado em aviação militar chinesa Andreas Rupprecht classificou o registro como provavelmente uma das primeiras imagens nítidas de um J-10CE associado à força aérea uzbeque.
A identificação ganha importância porque parte das informações sobre a aquisição ainda não foi oficialmente detalhada pelos governos de Pequim e Tashkent.
Contrato envolve 24 aeronaves
Informações divulgadas anteriormente apontam que o Uzbequistão teria firmado, em 2025, um acordo para adquirir 24 caças J-10CE, em um negócio estimado em aproximadamente US$ 1 bilhão.
Entretanto, é necessário fazer uma distinção importante: embora existam diversas evidências e relatos sobre a aquisição, o contrato não foi confirmado publicamente de forma detalhada pelos governos envolvidos.
Relatos sobre a possível compra começaram a circular em 2025, quando veículos especializados divulgaram informações sobre o acordo. Posteriormente, uma autoridade ligada à indústria de defesa do Uzbequistão teria solicitado a retirada de uma dessas publicações.
Modernização da Força Aérea uzbeque
A possível incorporação dos J-10CE representa uma mudança importante para a aviação militar do Uzbequistão.
O país ainda opera uma frota composta em grande parte por aeronaves de origem soviética, incluindo modelos como MiG-29 e Su-27. A introdução de uma plataforma chinesa moderna permitiria ampliar as capacidades de combate e reduzir gradualmente a dependência de equipamentos e sistemas herdados da União Soviética.
Especialistas também apontam que a escolha do J-10CE pode representar uma aproximação militar e tecnológica maior entre o Uzbequistão e a China.
China amplia presença na Ásia Central
A possível aquisição dos J-10CE também possui implicações geopolíticas.
Durante décadas, a Rússia manteve forte influência sobre os equipamentos militares utilizados pelos países da Ásia Central. A entrada de aeronaves chinesas modernas no inventário uzbeque sinaliza uma diversificação das fontes de equipamentos de defesa.
Essa mudança não significa necessariamente um rompimento com Moscou, mas demonstra que Tashkent vem ampliando suas opções estratégicas e buscando diferentes parceiros para modernizar suas Forças Armadas.
A China, por sua vez, aumenta sua presença no mercado de defesa da Ásia Central e fortalece os vínculos militares com um país considerado estrategicamente importante na região.
J-10CE é versão destinada à exportação
O J-10CE é a versão de exportação do caça multifuncional Chengdu J-10C, desenvolvido pela indústria aeronáutica chinesa.
A aeronave foi projetada para desempenhar diferentes tipos de missões, incluindo combate aéreo e operações contra alvos terrestres e marítimos.
O Paquistão é atualmente o principal operador estrangeiro confirmado do J-10CE, tendo incorporado o modelo à sua força aérea como parte de seu processo de modernização.
A eventual entrada do Uzbequistão na lista de operadores estrangeiros amplia o alcance internacional do caça chinês.
Entrega pode ocorrer de forma gradual
Relatos anteriores indicam que a eventual aquisição uzbeque seria realizada de maneira escalonada.
Também surgiram informações em julho de 2026 sobre a possível chegada de quatro J-10CE ao Uzbequistão. Contudo, essas alegações não receberam confirmação oficial de Tashkent ou Pequim.
Analistas especializados recomendam cautela, principalmente porque a presença de uma aeronave em instalações chinesas ou em testes não significa necessariamente que ela já tenha sido oficialmente incorporada à força aérea do país comprador.
A existência de imagens mais claras, entretanto, fornece um novo elemento para o acompanhamento do processo.
Treinamento também ocorre na China
A preparação para operar um novo modelo de caça normalmente envolve muito mais do que a entrega das aeronaves.
Pilotos precisam ser treinados, equipes de manutenção capacitadas e estruturas de apoio preparadas para receber o novo equipamento.
Informações divulgadas anteriormente apontaram que pilotos uzbeques estariam realizando treinamento na China como parte do processo de transição para o novo caça.
Esse tipo de preparação pode ocorrer antes mesmo da chegada definitiva das aeronaves ao país operador.
Novo capítulo para a aviação militar do Uzbequistão
A possível incorporação do J-10CE representa uma mudança significativa na trajetória da Força Aérea do Uzbequistão.
Além de introduzir uma aeronave de geração mais moderna, a aquisição amplia a diversificação tecnológica do país e cria uma nova relação de cooperação militar com Pequim.
As imagens registradas na China não encerram as dúvidas sobre o cronograma e a quantidade efetivamente entregue, mas acrescentam evidências ao processo de modernização que vem sendo associado à força aérea uzbeque.
Se a aquisição das 24 aeronaves for concretizada conforme os relatos divulgados, o Uzbequistão poderá se tornar um dos principais operadores estrangeiros do J-10CE e consolidar uma presença chinesa mais significativa no mercado de defesa da Ásia Central.
O episódio também demonstra como a China vem ampliando sua participação no fornecimento de equipamentos militares avançados, enquanto países da região procuram diversificar seus parceiros e reduzir a dependência de fornecedores tradicionais.





























































