O Dia da Amazônia, celebrado neste sábado (5), ocorre em um cenário de preocupação com as condições climáticas da região. A atuação do fenômeno El Niño em 2026 deve contribuir para prolongar o período de estiagem e aumentar a intensidade da seca nos rios amazônicos ao longo dos próximos meses.
A data foi criada pela Lei nº 11.621, de 2007, e faz referência à criação da província do Amazonas, em 5 de setembro de 1850, durante o Segundo Reinado. Além de destacar a importância ambiental do bioma, a celebração chama atenção para os desafios enfrentados pela floresta e pelas populações que vivem na região.
Amazônia tem papel fundamental no equilíbrio climático
A Amazônia está entre os ambientes de maior biodiversidade do planeta e abriga uma extensa rede de rios. A floresta também desempenha papel relevante na circulação de umidade pela atmosfera, contribuindo para a formação de chuvas que podem alcançar áreas distantes da região por meio dos chamados rios voadores.
O bioma ocupa aproximadamente 5 milhões de quilômetros quadrados de floresta e se estende por nove países da América do Sul. No território brasileiro, a Bacia Amazônica concentra cerca de 80% das águas superficiais do país e aproximadamente 20% da água doce existente no planeta, segundo informações citadas pela Agência Brasil.
Para o biólogo e mestrando em Ecologia Aquática da Universidade Federal do Pará, Vinícius Borges, preservar esse sistema é fundamental não apenas para as comunidades amazônicas, mas também para o funcionamento climático de outras regiões brasileiras.
El Niño deve prolongar a estiagem
O principal alerta neste ano está relacionado ao El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e capaz de alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), existe mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte entre setembro e novembro de 2026. A previsão indica condições mais secas do que o normal para áreas das regiões Norte e Nordeste, além de partes do Brasil Central.
Na Amazônia Legal, a transição tradicional entre a estação seca e o período chuvoso pode ser atrasada pela atuação mais prolongada do El Niño. O cenário aumenta a possibilidade de manutenção de solos e vegetação mais secos durante parte da primavera, favorecendo também a propagação de incêndios.
Rios podem enfrentar período de seca mais severo
A preocupação não está restrita às áreas de floresta. A redução das chuvas pode afetar diretamente os níveis dos rios, que são fundamentais para o transporte, o abastecimento e a rotina de comunidades ribeirinhas e indígenas.
A Agência Brasil destaca que os efeitos do El Niño estabelecido em 2026 podem se prolongar até o primeiro trimestre de 2027, aumentando a possibilidade de um período de seca mais intenso nos rios amazônicos no próximo ano.
O impacto de uma estiagem prolongada pode ser significativo em uma região onde muitas comunidades dependem dos rios para deslocamento, acesso a serviços e atividades econômicas.
Previsão também aumenta preocupação com queimadas
Além da redução dos níveis dos rios, o clima mais quente e seco eleva a preocupação com incêndios florestais. O boletim conjunto divulgado pelo Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Defesa Civil e Censipam aponta que a combinação entre temperaturas acima da média e menor volume de chuva pode deixar a vegetação mais suscetível ao fogo.
As projeções do Censipam indicam possibilidade de precipitações abaixo da média em estados como Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas e Acre, além de áreas do norte de Mato Grosso, Tocantins e Rondônia.
O cenário reforça a necessidade de monitoramento constante durante os próximos meses, especialmente porque os efeitos do fenômeno podem variar de acordo com a intensidade e a distribuição das condições climáticas.
Dia da Amazônia reforça importância da preservação
A combinação entre a celebração do Dia da Amazônia e o alerta climático coloca novamente em evidência a importância estratégica do bioma. A floresta exerce funções ambientais que ultrapassam as fronteiras brasileiras e está diretamente relacionada à biodiversidade, ao ciclo da água e à regulação do clima.
Com a previsão de um El Niño potencialmente muito forte, os próximos meses exigirão atenção especial às condições dos rios, às áreas de floresta e às populações que dependem diretamente dos recursos naturais da região.
Mais do que uma data comemorativa, o Dia da Amazônia representa uma oportunidade para reforçar a necessidade de preservação e de acompanhamento dos impactos provocados pelas mudanças no clima e pelos eventos extremos.




























































