O país implementou por anos uma combinação poderosa de incentivos:
- Isenção de IVA e impostos de importação;
- Redução de pedágios;
- Benefícios em estacionamento;
- Acesso facilitado a faixas especiais;
- Rede extensa de carregadores rápidos.
Resultado: mais de 90% dos carros novos vendidos já são elétricos, tornando economicamente pouco atrativo comprar veículos a combustão.
A meta norueguesa prevê que praticamente todos os novos carros vendidos sejam de emissão zero já em 2025.
Cronograma no Reino Unido
O Reino Unido ajustou seu cronograma para dar mais tempo à indústria, mas mantém o objetivo final de eliminar veículos fósseis.
Datas principais
| Ano |
Meta |
| 2024 |
Pelo menos 22% das vendas devem ser de veículos elétricos |
| 2030 |
Aproximadamente 80% das vendas deverão ser elétricas |
| 2035 |
Fim da venda e registro de novos carros exclusivamente a combustão |
Isso significa que veículos híbridos ainda poderão ter algum espaço temporário, dependendo das regras específicas.
Canadá segue modelo semelhante
O governo canadense também estabeleceu metas graduais de eletrificação:
- Crescimento anual obrigatório de vendas de EVs;
- Incentivos federais e provinciais;
- Expansão acelerada da infraestrutura de recarga;
- Objetivo de predominância de veículos de emissão zero até meados da próxima década.
O que muda para concessionárias e oficinas
A transformação não afeta apenas fabricantes.
Concessionárias
O modelo tradicional de venda está mudando:
- Menos foco em potência do motor;
- Mais foco em autonomia, software e carregamento;
- Necessidade de explicar tipos de bateria;
- Demonstração de aplicativos e conectividade.
Oficinas mecânicas
Veículos elétricos possuem muito menos peças móveis que carros a combustão.
Isso reduz:
- Trocas de óleo;
- Reparos em sistemas de escapamento;
- Manutenção de transmissão complexa.
Em compensação, cresce a demanda por:
- Diagnóstico eletrônico;
- Atualizações remotas de software;
- Gestão térmica das baterias;
- Calibração de sensores.
Desafios para o fornecimento de energia limpa
A eletrificação em massa também cria novos desafios energéticos.
1. Pressão sobre a rede elétrica
Milhões de veículos conectados simultaneamente podem elevar fortemente a demanda, especialmente à noite.
Isso exige:
- Modernização da rede;
- Medidores inteligentes;
- Tarifas dinâmicas;
- Carregamento programado.
2. Expansão da geração renovável
Para que os carros sejam realmente “limpos”, a eletricidade também precisa ser de baixa emissão:
- solar;
- eólica;
- hidrelétrica;
- nuclear em alguns países.
3. Mineração de minerais críticos
A produção de baterias depende de:
- lítio;
- níquel;
- cobalto;
- grafite;
- terras raras.
Isso levanta preocupações sobre:
- impactos ambientais;
- segurança de abastecimento;
- dependência geopolítica;
- direitos sociais em regiões mineradoras.
4. Reciclagem de baterias
A reciclagem será decisiva para tornar o sistema sustentável no longo prazo, recuperando materiais valiosos e reduzindo nova extração mineral.
O que esperar nos próximos anos
A transição energética no setor automotivo não significa apenas trocar motores: trata-se de uma reconfiguração completa da mobilidade, da indústria e da infraestrutura energética global.
Os próximos anos devem trazer:
- queda gradual dos carros a combustão;
- expansão rápida dos elétricos;
- novas tecnologias de bateria;
- maior automação e software embarcado;
- competição intensa entre montadoras tradicionais e novas empresas.
O fim dos motores fósseis já começou — e a velocidade dessa mudança dependerá tanto das políticas públicas quanto da capacidade da indústria de adaptar-se a um novo paradigma tecnológico.