Por Lorë Kotínski
O mundo não enfrenta falta de alimentos, enfrenta falta de eficiência.
Em 2024, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 673 milhões de pessoas passaram fome, enquanto 2,3 bilhões viveram em insegurança alimentar. No mesmo sistema, cerca de um terço de todos os alimentos produzidos é perdido ou desperdiçado, gerando prejuízo superior a US$ 1 trilhão por ano.
No Brasil, o paradoxo se repete. O país reduziu a fome recente m 2,5%, mas ainda mantém 6,48 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave, ao mesmo tempo em que desperdiça cerca de 27 milhões de toneladas de alimentos por ano, segundo a Embrapa.
Não é sobre escassez. É sobre perda.
E essa perda ficou mais cara. Tensões geopolíticas, como a guerra entre Rússia e Ucrânia e a guerra entre Estados Unidos (EUA) e Irã, pressionaram cadeias globais e elevaram custos. Nesse cenário, ineficiência deixou de ser tolerável — passou a impactar diretamente margens e competitividade.
É aqui que o desperdício zero muda de status: sai do discurso ambiental e entra no centro da estratégia econômica.
Desperdício é tudo aquilo que já foi pago insumos, energia, logística e trabalho e não virou receita. É margem evaporando dentro da operação, como costumo dizer.
Estudos mostram que empresas que atacam perdas de forma estruturada reduzem entre 5% e 20% dos custos operacionais em até dois anos. Em setores como alimentos e indústria, perdas podem cair até 30%. É ganho direto de EBITDA, sem necessidade de expansão.
E no Brasil o desperdício pode ser eliminado e ainda virar lucratividade. A chamada “Lei do Desperdício” (Lei nº 14.016/2020) criou segurança jurídica para doação de alimentos excedentes, permitindo que empresas destinem produtos próprios para consumo, sem risco de responsabilização civil ou penal, desde que respeitadas condições sanitárias.
Na prática, isso muda a equação econômica: o que antes era custo de descarte passa a gerar benefício fiscal, redução de despesas logísticas e ganho reputacional. Empresas deixam de pagar para descartar e passam a capturar valor social e financeiro. E isso tem tudo a ver com sustentabilidade.
O ponto central, portanto, é simples: desperdício zero não é custo. É captura de valor. Em um mundo pressionado por crises, operar bem deixou de ser diferencial. É sobrevivência.
E desperdiçar, hoje, não é apenas ineficiente. É caro. É arriscado. E cada vez mais incompatível com lucro.








































































