A aviação europeia entrou em estado de alerta diante do risco crescente de escassez de combustível de aviação (QAV), cenário que pode levar ao cancelamento de voos já a partir do fim de maio. O aviso foi feito por Willie Walsh, chefe da Associação Internacional de Transporte Aéreo, que representa mais de 300 empresas do setor.
Segundo Walsh, o impacto já começa a ser sentido em partes da Ásia e tende a se intensificar na Europa caso não haja uma resposta coordenada dos governos. A principal recomendação é que autoridades nacionais desenvolvam, com urgência, planos estruturados para lidar com um eventual racionamento de combustível nos aeroportos — medida considerada extrema, mas cada vez mais plausível.
O alerta ganha ainda mais peso após a avaliação da Agência Internacional de Energia, que indicou que os estoques europeus de QAV seriam suficientes para apenas cerca de seis semanas. A projeção foi classificada como “alarmante” por Walsh, reforçando a urgência de medidas preventivas.
A raiz da crise está diretamente ligada ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo. Aproximadamente 20% do combustível de aviação global transita pela região, sendo que quase 70% desse volume tem como destino a Europa. Com a interrupção do fluxo, o mercado internacional sofreu um choque imediato de oferta.
O efeito mais visível até agora é a disparada nos preços: o combustível de aviação praticamente dobrou desde o início do conflito no Oriente Médio. Esse aumento pressiona diretamente os custos operacionais das companhias aéreas, tornando diversas rotas economicamente inviáveis.
Países como Reino Unido, França e Países Baixos estão entre os mais vulneráveis, devido à forte dependência de importações de combustível provenientes do Oriente Médio. Já os Estados Unidos, embora menos expostos diretamente, também sentem os efeitos, uma vez que o QAV é negociado em um mercado global interconectado.
Companhias aéreas internacionais, como a United Airlines, já começaram a ajustar suas operações, incluindo cortes em voos, como forma de mitigar o impacto do aumento de custos.
O cenário atual evidencia uma crise logística e energética com potencial de afetar não apenas o setor aéreo, mas também o turismo, o comércio internacional e a mobilidade global. Sem uma solução rápida para a normalização das rotas no Golfo, o risco de uma disrupção sistêmica na aviação europeia se torna cada vez mais concreto.








































































