A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou, nesta semana, uma missão técnica em Washington, nos Estados Unidos, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre políticas agrícolas, seguro rural e mecanismos de financiamento ao produtor. A agenda incluiu reuniões institucionais, encontros com especialistas e participação em fóruns estratégicos voltados à análise do cenário agropecuário global.
A iniciativa buscou compreender de forma comparativa os instrumentos adotados pelos Estados Unidos, considerados um dos principais concorrentes do Brasil no comércio internacional de produtos agropecuários. Segundo o assessor técnico da CNA, Guilherme Rios, as discussões forneceram referências relevantes que podem contribuir para o aprimoramento das políticas agrícolas brasileiras, especialmente no que se refere à gestão de risco e ao fortalecimento da competitividade.
“A agenda resultou em subsídios importantes para situações aplicáveis à realidade brasileira, principalmente em temas como financiamento, previsibilidade e proteção ao produtor diante da volatilidade do mercado”, destacou o assessor.
A programação teve início na Embaixada do Brasil em Washington, onde a comitiva foi recebida pela embaixadora Maria Luiza Viotti. Durante o encontro, foram discutidos o cenário atual da produção agropecuária nacional, as perspectivas de ampliação de mercados e o papel das políticas públicas na sustentação do crescimento do setor.
Outro ponto central da missão foi a visita à sede da Corteva Agriscience, onde os representantes da CNA tiveram contato com especialistas que já atuaram no United States Department of Agriculture (USDA). As discussões abordaram o funcionamento do seguro rural norte-americano, considerado um dos mais estruturados do mundo, com cobertura ampla e mecanismos voltados à mitigação de perdas decorrentes de eventos climáticos e oscilações de mercado.
Atualmente, o governo dos Estados Unidos destina mais de US$ 10 bilhões por ano ao programa de seguro rural, oferecendo diferentes modalidades de proteção adaptadas às diversas cadeias produtivas. O modelo inclui, por exemplo, coberturas específicas para pastagens, lavouras e outras atividades agropecuárias, garantindo maior estabilidade financeira ao produtor.
A comitiva também se reuniu com o economista-chefe do USDA, Justin Benavides, para discutir o orçamento público destinado ao setor agrícola, o nível de endividamento dos produtores e os ajustes realizados nas políticas agrícolas diante do aumento dos custos de produção e da volatilidade dos mercados internacionais.
Na quinta-feira, os representantes brasileiros participaram do Agricultural Outlook Forum, evento que reúne especialistas, autoridades e agentes do setor para analisar tendências econômicas e estruturais do agro. Entre os temas abordados, destacou-se o acesso ao crédito rural e sua relação com o nível de alavancagem financeira dos produtores.
Durante os painéis, foram apresentados dados sobre taxas de juros, estrutura de financiamento e os impactos das mudanças econômicas sobre a sustentabilidade financeira do setor agropecuário. O modelo norte-americano demonstrou forte integração entre crédito, seguro rural e políticas públicas, criando uma rede de proteção que contribui para a estabilidade da produção.
A missão da CNA reforça a importância do intercâmbio internacional na construção de políticas agrícolas mais eficientes. Ao analisar experiências consolidadas, o Brasil busca aprimorar seus próprios instrumentos de financiamento e proteção ao produtor, fortalecendo a resiliência do setor e ampliando sua competitividade no cenário global.








































































