
O grupo BRICS — originalmente composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — emergiu nas últimas décadas como um dos principais fóruns de cooperação entre grandes economias em desenvolvimento. Com a recente expansão para incluir novos membros e uma agenda estratégica cada vez mais abrangente, os planos futuros do bloco ganharam projeção global. Hoje, o BRICS representa uma proporção significativa do Produto Interno Bruto mundial, além de uma base demográfica e geopolítica que desafia instituições tradicionais lideradas por países desenvolvidos.
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A análise abaixo aborda os principais vetores que moldam o futuro do BRICS: expansão e reformas institucionais, agenda econômica e financeira, desenvolvimento tecnológico e digital, políticas sociais e climáticas, cooperação educacional e científica, e o papel geopolítico global.
1. Expansão do Bloco: Crescimento Geopolítico e Econômico
Uma das mudanças mais significativas da última fase do BRICS foi a ampliação do grupo, com a inclusão de países de grande relevância regional. A expansão reforça a Estratégia de fortalecer a influência do bloco no Sul Global e no cenário internacional.
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Essa expansão não apenas fortalece a representatividade econômica do BRICS — que hoje se aproxima de quase 40% do PIB global — mas também amplia sua capacidade de atuação em temas globais como comércio, energia e segurança.
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Objetivos Relacionados à Expansão
- Aumentar a representatividade do Sul Global em fóruns multilaterais;
- Criar uma base mais diversificada para cooperação econômica e diplomática;
Promover uma ordem internacional mais multipolar, reduzindo a dependência das instituições tradicionais.
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2. Reforma da Governança Global e Multilateralismo
Os BRICS têm identificado a necessidade de reformas nas instituições multilaterais (como ONU, FMI e OMC), defendendo maior participação de países emergentes nos processos decisórios globais.
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Sob a presidência brasileira em 2025, o grupo reafirmou compromissos com:
- Multilateralismo e governança global inclusiva;
- Promoção de soluções diplomáticas baseadas em normas internacionais;
- Cooperação em segurança cibernética e tecnológica.
Essa agenda reforça a visão do BRICS como um contraponto às alianças tradicionais lideradas por potências ocidentais e busca estabelecer um ambiente mais equilibrado para a tomada de decisões em questões globais.
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3. Agenda Econômica e Financeira: NDB, Moeda e Comércio
A cooperação econômica e financeira é um dos pilares centrais do BRICS. O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), criado para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países membros e parceiros, tem reforçado esse papel com uma governança igualitária e foco no Sul Global.
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Principais Iniciativas
- Expansão estratégica do NDB com entrada de novos membros e aumento de capital;
- Financiamento de projetos em infraestrutura, energia limpa e inovação tecnológica;
Continuação do compromisso com a expansão do comércio em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar americano.
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Embora a ideia de criar uma moeda comum BRICS ainda esteja em fases preliminares e sem cronograma definido para implementação, o grupo tem intensificado os esforços para facilitar o uso de moedas nacionais nas trocas comerciais e avançar em sistemas de pagamento alternativos, como o BRICS Pay, previsto para operacionalização até 2030.
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4. Inovação, Tecnologia e Competências do Futuro
O BRICS reconhece a importância da inovação e tecnologia para a competitividade global futura. Diversos planos de ação e declarações ressaltam investimentos em ciência, tecnologia, digitalização industrial e capacitação de mão de obra.
Focos Estratégicos
- Plano de Ação para Inovação 2025–2030 com estímulo à cooperação entre universidades, incubadoras, startups e centros de pesquisa.
- Incentivo à adoção de tecnologias emergentes como inteligência artificial, biotecnologia e tecnologias quânticas.
Serviços e Informações do Brasil
Criação de redes de cooperação para fortalecer a infraestrutura digital e a soberania tecnológica.
Serviços e Informações do Brasil
5. Educação, Qualificação Profissional e Juventude
A educação e a qualificação técnica também figuram como temas prioritários na agenda futura do BRICS. Em 2025, ministros da educação assinaram declarações conjuntas com foco em promover o uso ético da inteligência artificial no ensino e ampliar a cooperação em educação técnica e profissional.
Além disso, iniciativas envolvendo lideranças jovens buscam incentivar a participação das novas gerações em processos de tomada de decisão, estreitando o diálogo entre juventude, inovação e cooperação internacional.
6. Transição Energética e Sustentabilidade
O BRICS tem incorporado a transição energética e a sustentabilidade em sua agenda de médio e longo prazo. Em maio de 2025, ministros de energia adotaram uma declaração conjunta para um roteiro de cooperação energética 2025–2030, destacando a importância de uma transição justa e financeiramente viável que esteja alinhada ao Acordo de Paris e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
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Esses compromissos indicam um foco cada vez maior em políticas que conciliem desenvolvimento econômico com redução de emissões e segurança energética.
7. Saúde Global e Cooperação Social
A saúde global também figura entre os temas de cooperação futura. Instituições como a Fiocruz (Brasil) coordenaram iniciativas prioritárias de saúde dentro da agenda BRICS, incluindo resposta a pandemias e fortalecimento de sistemas de saúde.
Fiocruz
A integração de políticas de saúde pública com tecnologias avançadas e com o NDB visa reduzir disparidades sanitárias entre os membros e parceiros do bloco.
Uma Agenda Ampla e Transformadora
Os planos futuros do BRICS refletem uma agenda multifacetada, que ultrapassa a mera cooperação econômica para abarcar temas estratégicos como:
- Reforma das instituições globais;
- Fortalecimento de mecanismos financeiros alternativos;
- Cooperação em tecnologia e inovação;
- Educação e qualificação profissional;
- Transição energética e sustentabilidade;
- Saúde pública e inclusão social.
Esses esforços demonstram que o BRICS busca consolidar-se como um ator relevante na governança global do século XXI — promovendo uma ordem internacional mais plural, aberta e alinhada com as necessidades do Sul Global.







































































