As duas maiores centrais sindicais da Espanha, UGT e CCOO, anunciaram uma greve geral de 24 horas para 11 de novembro, em protesto contra a crise habitacional enfrentada pelo país. A paralisação ocorrerá poucas semanas antes das eleições legislativas antecipadas, marcadas para 29 de novembro.
A convocação ocorre após uma sequência de manifestações contra despejos e o aumento dos preços dos imóveis e dos aluguéis. Organizações que representam inquilinos vêm promovendo protestos em diferentes cidades espanholas desde setembro e pressionam o governo por medidas capazes de ampliar o acesso à moradia.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), anunciou na segunda-feira (5) a antecipação das eleições. A decisão ocorreu dois dias depois de o Parlamento rejeitar decretos apresentados pelo governo para enfrentar problemas relacionados à habitação.
Greve ocorre 14 anos após última paralisação conjunta
Segundo Pepe Álvarez, secretário-geral da UGT, a paralisação foi definida em conjunto com a CCOO e atende a uma reivindicação dos movimentos de inquilinos. Será a primeira greve geral apoiada conjuntamente pelas duas principais centrais sindicais espanholas em 14 anos. A última ocorreu em 2012.
Os sindicatos afirmam que a questão habitacional está diretamente relacionada às condições de vida dos trabalhadores. Entre as reivindicações está a necessidade de garantir salários capazes de acompanhar os custos de moradia, diante do aumento dos aluguéis e da dificuldade de acesso à casa própria.
A mobilização também ocorre em meio a protestos que ganharam força após o despejo de uma mulher de 87 anos em Madri. O episódio provocou manifestações e contribuiu para ampliar a pressão sobre o governo espanhol.
Governo enfrenta pressão política
A crise habitacional tornou-se um dos principais temas do debate político espanhol. O Parlamento rejeitou recentemente medidas destinadas a conter despejos e aliviar a pressão sobre os preços dos aluguéis, em uma derrota para o governo de Sánchez.
A decisão de antecipar as eleições ocorre, portanto, em um momento de forte pressão política e social. O pleito está marcado para 29 de novembro, e a questão da moradia deve ocupar espaço importante durante a campanha.
Sánchez afirmou que o governo respeita o direito constitucional à greve. O primeiro-ministro também enfrenta críticas relacionadas à condução de outros temas, enquanto partidos de oposição questionam a atuação do Executivo na área habitacional.
Oposição questiona caráter da paralisação
Representantes empresariais e partidos de oposição criticaram a convocação da greve. O presidente da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, Antonio Garamendi, afirmou que a mobilização possui um componente político e eleitoral.
O Partido Popular (PP) e o Vox também questionaram o momento escolhido para a paralisação e acusaram os sindicatos de utilizarem a crise habitacional para influenciar o cenário político antes das eleições.
Os sindicatos rejeitam essa interpretação e sustentam que a mobilização responde principalmente à pressão exercida pelos movimentos de inquilinos e às dificuldades enfrentadas pela população para conseguir uma moradia.
Déficit habitacional aumenta pressão
A Espanha enfrenta um déficit significativo de imóveis, enquanto a procura por aluguel continua pressionando os preços. Segundo dados citados pela Reuters com base no Banco da Espanha, o déficit habitacional está em aproximadamente 750 mil moradias e pode ultrapassar 1 milhão até 2028.
O problema tem impacto especialmente forte entre os jovens. Dados do Conselho da Juventude da Espanha indicam que o aluguel médio representa cerca de 98,7% do salário mensal médio dos jovens espanhóis, evidenciando a dificuldade de conciliar renda e custo de moradia.
Com as eleições antecipadas e a greve marcada para novembro, a crise habitacional deve permanecer entre os principais assuntos do debate público espanhol nas próximas semanas.




























































