A China colocou em operação o Canal de Pinglu, uma nova infraestrutura de transporte que conecta o sudoeste do país ao litoral e amplia o acesso aos mercados do Sudeste Asiático. A via navegável tem 134,2 quilômetros e estabelece uma ligação mais direta entre a região de Guangxi e o Golfo de Beibu.
O projeto foi concebido para facilitar o deslocamento de cargas provenientes das áreas interiores da China até as rotas marítimas internacionais. No primeiro dia de funcionamento, embarcações de carga começaram a utilizar o canal em trajetos com destino ao Vietnã e à ilha chinesa de Hainan.
A nova estrutura integra a estratégia chinesa de fortalecimento da conexão entre transporte fluvial, ferroviário e marítimo e tem como um de seus principais objetivos ampliar os fluxos comerciais com os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático, a ASEAN.
Rota reduz distância e custos logísticos
De acordo com as autoridades chinesas, o Canal de Pinglu reduz em mais de 560 quilômetros a distância percorrida pelas mercadorias entre o sudoeste do país e os mercados do Sudeste Asiático.
A mudança também deverá diminuir os custos de transporte entre 18% e 30%, criando uma alternativa mais eficiente para empresas instaladas em regiões do interior chinês.
A infraestrutura foi projetada para receber embarcações com capacidade de até 5 mil toneladas. O canal possui ainda estruturas destinadas ao controle do nível da água e integra sistemas voltados ao abastecimento, irrigação, prevenção de enchentes e proteção ambiental.
As obras começaram em agosto de 2022 e exigiram investimentos de 72,7 bilhões de yuans, equivalentes a aproximadamente US$ 10,75 bilhões.
Conexão com o comércio internacional
O Canal de Pinglu está integrado ao chamado Novo Corredor Internacional de Comércio Terrestre-Marítimo Ocidental, uma rede que combina ferrovias, rodovias, portos e vias navegáveis para conectar o interior da China aos mercados estrangeiros.
A nova rota também amplia a conexão do sudoeste chinês com a rede portuária do Golfo de Beibu. Com isso, áreas como Yunnan, Guizhou, Sichuan e Chongqing passam a contar com uma alternativa mais curta para alcançar o transporte marítimo internacional.
A expectativa do governo chinês é que a infraestrutura contribua para aproximar cadeias industriais e de abastecimento do sudoeste do país dos mercados da ASEAN.
ASEAN ganha importância para a China
A inauguração ocorre em um momento de expansão das relações comerciais entre a China e os países do Sudeste Asiático. A ASEAN permanece como um dos principais parceiros comerciais de Pequim, aumentando a importância de novas estruturas capazes de acelerar o transporte de mercadorias.
Além de facilitar as exportações e importações, o canal poderá contribuir para o desenvolvimento econômico das regiões interiores chinesas, que passam a ter acesso mais eficiente aos portos e às rotas marítimas.
A integração entre o Canal de Pinglu, as ferrovias e os portos do Golfo de Beibu também cria uma rede multimodal capaz de conectar diferentes formas de transporte em uma mesma cadeia logística.
Nova infraestrutura amplia conectividade regional
Com a entrada em operação do canal, a China amplia sua capacidade de conectar regiões do interior às rotas comerciais internacionais. A infraestrutura deverá desempenhar papel importante no transporte de matérias-primas, produtos industriais e outras cargas destinadas aos mercados asiáticos.
O projeto também reforça a estratégia chinesa de ampliar os corredores de transporte voltados ao comércio com o Sudeste Asiático e de integrar suas regiões ocidentais às cadeias internacionais de produção e distribuição.
A expectativa das autoridades é que a nova ligação reduza o tempo e o custo do transporte, ao mesmo tempo em que estimule investimentos e fortaleça a integração econômica entre o sudoeste chinês e os países da ASEAN.



























































