O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, voltou a elevar o tom contra a Ucrânia ao indicar que poderá adotar novas medidas de pressão caso não seja retomado o fornecimento de petróleo russo ao seu país e à Eslováquia.
Em declarações feitas em Bruxelas, um dia após bloquear novamente um pacote financeiro de 90 mil milhões de euros destinado a Kiev, Orbán afirmou que seu governo dispõe de “diversas ferramentas” além do veto a ajudas econômicas. Entre elas, mencionou a relevância da Hungria no fornecimento de energia elétrica à Ucrânia, sugerindo que essa dependência poderia ser utilizada como instrumento de pressão.
A crise tem como pano de fundo a interrupção do fluxo de petróleo pelo oleoduto Druzhba, após danos atribuídos a ataques no contexto da guerra. Hungria e Eslováquia estão entre os poucos países da União Europeia que ainda mantêm importações de petróleo russo por essa via.
Orbán acusa a Ucrânia de ter provocado deliberadamente a paralisação do oleoduto, alegação rejeitada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy. O líder húngaro condiciona qualquer apoio europeu a Kiev à retomada do abastecimento energético.
Tensão crescente com a União Europeia
A postura de Orbán gerou forte reação dentro da União Europeia. Durante a cúpula em Bruxelas, líderes europeus criticaram duramente o bloqueio imposto pela Hungria, acusando o governo de comprometer decisões estratégicas e atrasar assistência essencial à Ucrânia.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, condenou o que classificou como tentativa de “chantagem” institucional. Segundo ele, acordos firmados entre os países-membros devem ser respeitados, e não podem ser condicionados a interesses nacionais.
Além disso, a UE já sinalizou apoio técnico e financeiro para reparar a infraestrutura energética afetada, proposta que foi aceita por Kiev na tentativa de reduzir a tensão.
Disputa política e cenário eleitoral
A escalada também ocorre em um momento sensível para Orbán, que enfrenta eleições legislativas previstas para abril. Analistas apontam que o endurecimento do discurso contra a Ucrânia faz parte de sua estratégia política interna.
O premiê tem intensificado críticas a Zelenskyy e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alegando que ambos estariam pressionando a Hungria a se envolver no conflito com a Rússia.
Enquanto isso, líderes europeus alertam que a manutenção desse impasse pode fragilizar ainda mais a unidade do bloco em um momento de forte instabilidade geopolítica.
O cenário evidencia não apenas a complexidade da guerra, mas também as divisões internas dentro da União Europeia, especialmente quando interesses energéticos e políticos nacionais entram em choque com decisões coletivas.








































































