A primeira-ministra Giorgia Meloni anunciou que a Itália foi convidada a participar, na condição de observadora, da primeira reunião do Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O encontro está agendado para 19 de fevereiro, em Washington.
Segundo Meloni, a participação como observadora representa uma solução adequada diante de “incompatibilidades constitucionais” que impediriam a adesão formal da Itália ao organismo. A declaração foi feita à margem da reunião da União Africana, em Adis Abeba. A premiê acrescentou que ainda será definido o nível de representação italiana, já que o convite foi recebido recentemente.
De acordo com a chefe de governo, a presença italiana se justifica pelo papel que o país tem desempenhado na estabilização do Oriente Médio, tema considerado prioritário pela diplomacia de Roma. Ela defendeu também a necessidade de envolvimento europeu nas discussões.
Expectativa para a reunião em Washington
A primeira sessão formal do Conselho de Paz deverá contar com a participação de pelo menos vinte países. Veículos da imprensa norte-americana indicam que Trump pode apresentar um plano multibilionário de reconstrução da Faixa de Gaza durante o encontro. Há também expectativa de que alguns países discutam a eventual contribuição de tropas para uma força de estabilização na região.
Segundo informações divulgadas pela imprensa dos EUA, países como Kuwait teriam manifestado disposição de contribuir financeiramente para o novo organismo. Israel também confirmou participação, com representação do ministro das Relações Exteriores Gideon Sa’ar, a pedido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Divergências políticas na Europa
Meloni também comentou declarações do chanceler alemão Friedrich Merz, que classificou a cultura política ligada ao movimento “Make America Great Again” como não europeia. A premiê italiana afirmou que, embora a Europa deva reforçar sua autonomia estratégica, é necessário trabalhar por maior integração entre Europa e Estados Unidos, privilegiando pontos de convergência.
Reação da oposição italiana
Internamente, o anúncio provocou críticas da oposição. A líder do Partido Democrático, Elly Schlein, acusou Meloni de alinhamento político excessivo com Trump e de enfraquecer a posição europeia da Itália. Já o deputado Angelo Bonelli afirmou que a participação como observadora não altera o que classificou como “subalternidade” em relação a Washington.
O líder do grupo do Movimento 5 Estrelas no Senado, Stefano Patuanelli, solicitou um briefing parlamentar urgente sobre o papel italiano no Conselho. Para Carlo Calenda, líder da Ação, a decisão representa uma escolha equivocada entre o alinhamento à agenda americana e a integração europeia.
Outros países europeus já confirmaram presença no encontro, incluindo Hungria, Bulgária e Chipre, este último também como observador.
A participação italiana, ainda que limitada ao status de observadora, insere Roma em um novo fórum diplomático cujo alcance e impacto político dependerão das decisões adotadas na reunião inaugural em Washington







































































