A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impedir a venda de aeronaves da canadense Bombardier no mercado americano pode criar uma oportunidade para a Embraer ampliar sua participação no setor de aviação executiva dos Estados Unidos.
Trump afirmou que a Bombardier precisará produzir seus jatos em território americano para continuar comercializando as aeronaves no país. A declaração ocorre em meio ao agravamento das disputas comerciais entre Washington e Ottawa.
Embraer pode se beneficiar da disputa
A possível restrição à Bombardier chama atenção porque a fabricante canadense e a Embraer disputam espaço no mercado de jatos executivos.
Caso a ameaça de Trump avance para uma medida efetiva, clientes americanos que buscam alternativas à Bombardier poderão considerar outros fabricantes. Nesse cenário, a companhia brasileira aparece como uma das empresas potencialmente favorecidas.
O impacto, porém, tende a ser concentrado no segmento de aviação executiva, não representando automaticamente uma mudança significativa para todas as áreas de atuação da Embraer.
Mercado americano é estratégico para a Bombardier
Os Estados Unidos representam uma parcela expressiva dos negócios da fabricante canadense. A empresa possui milhares de funcionários no país e uma ampla rede de fornecedores e parceiros americanos.
A própria Bombardier destaca sua participação na economia dos Estados Unidos, incluindo fornecedores distribuídos por dezenas de estados. A companhia também mantém operações no território americano, o que torna uma eventual proibição comercial mais complexa do que uma simples restrição às importações.
Além disso, muitos componentes utilizados nos jatos da empresa são produzidos nos Estados Unidos, incluindo motores fornecidos por empresas americanas.
Trump exige produção em território americano
A declaração do presidente americano faz parte de uma estratégia mais ampla de pressão para que empresas estrangeiras aumentem a produção dentro dos Estados Unidos.
Trump criticou a Bombardier e afirmou que a companhia só deveria ter acesso ao mercado americano caso passasse a fabricar suas aeronaves no país. A medida foi anunciada enquanto Canadá e Estados Unidos ampliam a disputa comercial e adotam novas tarifas de retaliação.
Ainda não está claro como uma eventual proibição seria implementada. Especialistas do setor questionam, inclusive, a viabilidade jurídica de impedir a comercialização de aeronaves que já receberam certificação das autoridades americanas.
Embraer surge como alternativa
A eventual saída ou redução da presença da Bombardier no mercado americano poderia beneficiar fabricantes concorrentes.
Para a Embraer, o cenário representa uma possibilidade de ampliar sua exposição justamente em um dos mercados mais importantes da aviação executiva mundial.
A fabricante brasileira já possui presença consolidada nos Estados Unidos e experiência no segmento de jatos executivos, o que poderia facilitar a absorção de parte da demanda caso compradores passem a procurar alternativas.
Benefício pode ser limitado
Apesar da oportunidade, analistas avaliam que o impacto positivo para a Embraer não deve ser superestimado.
A possível vantagem está diretamente relacionada ao segmento de jatos executivos e dependeria de uma eventual implementação da ameaça contra a Bombardier.
Além disso, a própria estrutura produtiva da empresa canadense nos Estados Unidos pode reduzir os efeitos de uma eventual barreira comercial. A Bombardier emprega cerca de 3.500 pessoas no país e possui uma extensa cadeia de fornecedores americanos.
Disputa comercial aumenta incertezas
O caso Bombardier representa mais um capítulo da deterioração das relações comerciais entre Estados Unidos e Canadá.
A escalada ocorre após novas medidas tarifárias adotadas pelos dois países, com Ottawa preparando retaliações contra produtos americanos e Washington ampliando a pressão sobre empresas canadenses.
O setor aeroespacial, até recentemente, havia sido relativamente preservado da guerra tarifária. Uma mudança nesse cenário poderia afetar não apenas fabricantes, mas também fornecedores, trabalhadores e companhias aéreas ou clientes corporativos.
Embraer acompanha cenário internacional
Para a Embraer, a turbulência envolvendo sua concorrente canadense pode representar uma oportunidade comercial, mas também evidencia os riscos provocados pela utilização de medidas protecionistas no setor aeronáutico.
A empresa brasileira poderá se beneficiar caso compradores americanos procurem alternativas aos produtos da Bombardier. Entretanto, qualquer ganho dependerá da forma como o governo americano conduzirá a ameaça e da capacidade da Bombardier de preservar seu acesso ao mercado.
Por enquanto, a medida anunciada por Trump permanece como uma ameaça política e comercial, sem que tenha sido detalhado um mecanismo definitivo para bloquear as vendas da fabricante canadense nos Estados Unidos





























































