Brasil e Rússia avançam na construção de uma nova etapa de cooperação no setor nuclear. Os dois países deverão ampliar o acordo bilateral existente com um memorando voltado ao intercâmbio de experiências em licenciamento, regulação e novas tecnologias nucleares.
A iniciativa reforça uma aproximação que vem ganhando espaço nos últimos anos e envolve diferentes instituições brasileiras e russas ligadas à pesquisa, regulamentação e desenvolvimento da tecnologia nuclear.
O objetivo é ampliar a troca de conhecimento e criar novas possibilidades de colaboração em uma área considerada estratégica para a segurança energética, a ciência e a indústria.
Novo memorando amplia áreas de cooperação
O entendimento em negociação deverá complementar a estrutura de cooperação já existente entre os dois países.
Entre os principais temas estão os procedimentos de licenciamento de instalações nucleares, regulação do setor e desenvolvimento de novas tecnologias.
A proposta permite que instituições brasileiras tenham maior contato com a experiência acumulada pela Rússia em diferentes segmentos da indústria nuclear.
Ao mesmo tempo, a cooperação pode abrir oportunidades para que empresas e centros de pesquisa dos dois países desenvolvam projetos conjuntos.
Parceria nuclear já possui histórico
A aproximação entre Brasil e Rússia na área nuclear não é recente.
Os dois países possuem desde a década de 1990 um acordo para cooperação nos usos pacíficos da energia nuclear, estabelecido por instrumento bilateral que entrou em vigor em 1996.
Nos últimos anos, entretanto, as discussões ganharam novo impulso, acompanhando o interesse brasileiro em ampliar sua capacidade nuclear e diversificar parcerias tecnológicas.
Em fevereiro de 2026, Brasil e Rússia também assinaram uma declaração voltada ao uso pacífico da energia nuclear, com medidas relacionadas à produção de radioisótopos para aplicações médicas e ao desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear.
Energia nuclear ganha importância estratégica
A ampliação da cooperação ocorre em um momento de retomada do interesse internacional pela energia nuclear.
Além da geração de eletricidade, a tecnologia possui aplicações em áreas como medicina, agricultura, indústria, pesquisa científica e produção de radioisótopos.
Para o Brasil, o fortalecimento desse setor pode contribuir para ampliar a segurança energética e reduzir a dependência de determinadas fontes de geração.
A tecnologia nuclear também pode desempenhar papel complementar na transição para uma matriz energética de menor emissão de carbono.
Rússia possui ampla experiência tecnológica
A Rússia mantém uma das maiores cadeias nucleares do mundo e possui experiência em diferentes etapas do ciclo de produção e utilização da energia nuclear.
A estatal Rosatom também vem mantendo contatos com instituições brasileiras em busca de novas oportunidades de cooperação.
Em 2024, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Rosatom já haviam discutido a possibilidade de estabelecer um novo memorando de entendimento para ampliar a colaboração em diferentes modalidades de ciência e tecnologia.
A aproximação pode envolver transferência de conhecimento, capacitação de profissionais e desenvolvimento de projetos específicos.
Brasil busca fortalecer cadeia nuclear
O governo brasileiro também vem adotando medidas para ampliar a capacidade nacional no setor.
O Ministério de Minas e Energia tem defendido investimentos em tecnologia nuclear e a expansão da cadeia produtiva associada ao setor.
Em 2025, o governo brasileiro destacou a parceria com a Rosatom como parte de uma estratégia voltada à energia limpa, segura e sustentável, além da atração de investimentos e do desenvolvimento tecnológico.
O país também possui interesse estratégico em áreas relacionadas ao urânio e ao domínio do ciclo do combustível.
Cooperação inclui formação de especialistas
A parceria entre os dois países também avançou no campo acadêmico.
Em fevereiro de 2026, a CNEN firmou acordo para a criação de um programa internacional de dupla titulação em energia nuclear, envolvendo instituições brasileiras e russas.
A iniciativa busca formar profissionais especializados em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento da tecnologia nuclear.
O acordo estabelece que o programa não envolve pesquisa, desenvolvimento ou transferência de tecnologias com finalidade militar ou ofensiva.
A formação de mão de obra especializada é considerada um dos principais desafios para países que pretendem expandir seus programas nucleares.
Medicina nuclear também pode ser beneficiada
Uma das áreas com potencial de crescimento é a medicina nuclear.
Radioisótopos são utilizados em procedimentos de diagnóstico e tratamento de diferentes doenças, tornando sua produção uma questão relevante para os sistemas de saúde.
O acordo firmado em fevereiro entre Brasil e Rússia já contemplava a ampliação da cooperação relacionada aos radioisótopos medicinais.
O fortalecimento dessa cadeia pode reduzir vulnerabilidades no fornecimento de materiais essenciais para hospitais e centros especializados.
Angra 3 permanece como projeto estratégico
A expansão da capacidade nuclear brasileira também está relacionada ao futuro de Angra 3, projeto considerado importante para a ampliação da geração nuclear no país.
A retomada do programa nuclear brasileiro pode gerar demanda por equipamentos, serviços especializados, profissionais qualificados e novas tecnologias.
Nesse cenário, parcerias internacionais podem contribuir para ampliar as alternativas disponíveis ao Brasil.
A Rússia é uma das potências que demonstram interesse em participar desse processo.
Cooperação vai além da geração de energia
Embora a geração elétrica seja um dos principais pontos associados à energia nuclear, a parceria Brasil-Rússia possui potencial para avançar em outras áreas.
Pesquisa científica, formação profissional, aplicações médicas, produção de radioisótopos, segurança nuclear e tecnologias relacionadas ao ciclo do combustível fazem parte de um ecossistema muito mais amplo.
A ampliação do memorando pode justamente permitir que a cooperação deixe de se concentrar em poucos projetos e passe a envolver diferentes instituições.
Novo acordo reforça aproximação bilateral
A expansão da cooperação nuclear ocorre paralelamente ao fortalecimento das relações econômicas, científicas e tecnológicas entre Brasil e Rússia.
Em 2026, os dois países também avançaram em discussões relacionadas à cooperação econômica e comercial, incluindo iniciativas para ampliar mecanismos financeiros e reduzir obstáculos às relações entre empresas.
A área nuclear se soma, portanto, a uma agenda bilateral mais ampla.
Brasil procura ampliar autonomia tecnológica
O desenvolvimento de capacidade própria em tecnologias estratégicas é um dos objetivos associados ao fortalecimento do setor nuclear brasileiro.
A cooperação internacional pode acelerar esse processo, desde que acompanhada de investimentos em pesquisa, formação profissional e infraestrutura nacional.
A aproximação com a Rússia oferece ao Brasil acesso a uma experiência tecnológica acumulada durante décadas.
Ao mesmo tempo, a parceria permite que Moscou amplie sua presença em um dos maiores mercados energéticos da América Latina.
Uma nova fase para o setor nuclear
A ampliação do acordo entre Brasil e Rússia representa mais um passo na tentativa de transformar a cooperação nuclear em uma parceria de longo prazo.
Com foco em regulação, licenciamento, tecnologia, formação profissional e aplicações pacíficas, o novo entendimento poderá criar novas oportunidades para instituições públicas, universidades e empresas.
O movimento também reforça a importância estratégica que o Brasil voltou a atribuir à energia nuclear.
À medida que o país busca diversificar sua matriz energética, ampliar a produção de radioisótopos e fortalecer sua capacidade científica e tecnológica, a parceria com a Rússia pode ganhar espaço ainda maior na agenda bilateral.





























































