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Home Diplomacia Política

Novas regras da ANAC buscam reduzir processos contra companhias aéreas e dar mais segurança ao setor

by Fabiana Ceyhan
11 de agosto de 2026
Tempo de leitura:7 min

A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) prepara uma atualização das regras que regulam o transporte aéreo de passageiros no Brasil com o objetivo de reduzir o elevado número de ações judiciais contra companhias aéreas e tornar as relações entre empresas e consumidores mais previsíveis.

A mudança está concentrada na revisão da Resolução nº 400/2016, uma das principais normas que estabelecem direitos e obrigações relacionados ao transporte aéreo de passageiros. A agência afirma que a atualização pretende aperfeiçoar a regulamentação diante das transformações ocorridas no setor nos últimos anos.

Judicialização é um dos principais desafios

O Brasil apresenta um volume de processos judiciais envolvendo companhias aéreas considerado muito elevado em comparação com outros mercados.

Dados citados pela própria ANAC em acordo de cooperação com o Ministério Público Federal apontam uma diferença significativa: enquanto nos Estados Unidos havia aproximadamente uma ação judicial para cada 7.883 voos, no Brasil o indicador chegava a uma ação para cada 1,35 voo.

Para a agência, esse cenário aumenta a insegurança jurídica e pode afetar a dinâmica do mercado aéreo brasileiro.

A preocupação não está restrita às companhias. A ANAC argumenta que os custos associados à judicialização podem acabar sendo incorporados à estrutura de preços do setor e dificultar a entrada de novos concorrentes.

Revisão da Resolução 400

A revisão da Resolução nº 400 faz parte da agenda regulatória da ANAC para 2026.

A norma estabelece diversas regras relacionadas à prestação de serviços pelas empresas aéreas, incluindo procedimentos aplicáveis aos passageiros e obrigações das transportadoras.

Segundo a agência, a proposta busca atualizar dispositivos que já não acompanham completamente a evolução do transporte aéreo e estabelecer regras mais claras para situações que frequentemente geram conflitos entre consumidores e empresas.

Objetivo é diminuir conflitos antes que cheguem à Justiça

Uma das principais estratégias é estimular mecanismos capazes de solucionar problemas diretamente entre passageiros e companhias aéreas.

A lógica é reduzir situações em que uma reclamação de consumo acaba transformada imediatamente em uma ação judicial.

A ANAC já vem trabalhando nesse sentido por meio do fortalecimento dos canais de atendimento e de ferramentas de resolução extrajudicial de conflitos.

Entre as iniciativas está o uso da plataforma Consumidor.gov.br, considerada pela agência um instrumento importante para solucionar reclamações sem a necessidade de recorrer ao Judiciário.

Passageiros continuam protegidos

A revisão das regras não significa, necessariamente, uma redução dos direitos dos passageiros.

A proposta da agência é estabelecer parâmetros mais objetivos para as relações de consumo e diminuir divergências de interpretação sobre as obrigações das empresas.

A ANAC afirma que a proteção ao consumidor permanece entre os objetivos da regulação, ao mesmo tempo em que busca melhorar a segurança jurídica para as empresas.

Esse equilíbrio é considerado fundamental para evitar que a redução da judicialização ocorra às custas dos direitos dos passageiros.

Empresas aéreas estrangeiras acompanham mudanças

A discussão também possui impacto sobre empresas internacionais interessadas em operar no Brasil.

A elevada judicialização é apontada pelo setor como um dos fatores que podem aumentar os custos de operação no mercado brasileiro e reduzir a atratividade para novos concorrentes.

Uma estrutura regulatória mais previsível pode facilitar a entrada ou expansão de companhias aéreas estrangeiras e, consequentemente, ampliar a concorrência.

Para os passageiros, uma maior competição pode significar mais opções de rotas, frequências e preços.

ANAC aposta em regulação mais responsiva

As mudanças fazem parte de uma transformação mais ampla na forma como a agência exerce sua atividade regulatória.

Desde janeiro de 2026, novas regras de fiscalização e autuação passaram a incorporar princípios de regulação responsiva, levando em consideração fatores como histórico de conformidade e características das operações.

A proposta é concentrar esforços de fiscalização de maneira proporcional aos riscos e ao comportamento dos regulados, em vez de adotar uma abordagem exclusivamente punitiva.

Setor busca reduzir custos

A redução da judicialização também possui uma dimensão econômica.

Cada processo representa custos para empresas, consumidores e para o próprio sistema de Justiça. Em grande escala, esse fenômeno pode gerar despesas significativas para o setor.

A ANAC defende que a solução de conflitos por meios administrativos ou extrajudiciais pode reduzir esses custos e permitir que recursos sejam direcionados para melhorias nos serviços.

A expectativa é que um ambiente regulatório mais estável contribua para aumentar a eficiência do mercado.

Mudanças podem influenciar preço das passagens

A relação entre judicialização e preço das passagens é um dos argumentos utilizados pela ANAC para justificar a revisão das regras.

Quando as empresas enfrentam custos elevados relacionados a processos judiciais e indenizações, esses gastos podem influenciar a estrutura econômica das operações.

Em um mercado altamente competitivo, entretanto, a transmissão desses custos para os consumidores depende de diversos fatores, incluindo concorrência, demanda, custos operacionais e estratégia comercial.

Por isso, a agência trata a redução da judicialização como parte de uma política mais ampla de melhoria do ambiente de negócios.

Consumidor terá novos canais de resolução

O fortalecimento de mecanismos extrajudiciais é uma das frentes que devem ganhar importância.

A ideia é permitir que o passageiro registre uma reclamação, acompanhe sua evolução e obtenha uma resposta da companhia sem necessariamente precisar contratar um advogado ou iniciar um processo.

Esse modelo pode acelerar a solução de problemas relacionados a atrasos, cancelamentos, bagagens, reembolsos e outros conflitos comuns no transporte aéreo.

A própria ANAC já identifica a melhoria dos canais de atendimento como uma das ferramentas para enfrentar a judicialização.

Mudança ocorre em um mercado em expansão

A revisão das regras acontece enquanto o transporte aéreo brasileiro passa por um período de crescimento.

A movimentação de passageiros nos aeroportos vem registrando níveis elevados, aumentando também o número absoluto de interações entre consumidores e empresas.

Com mais passageiros utilizando o transporte aéreo, cresce a necessidade de regras claras para lidar com situações de conflito.

A atualização regulatória busca acompanhar essa realidade e estabelecer procedimentos compatíveis com um mercado cada vez mais complexo.

Segurança jurídica é prioridade

Para as companhias aéreas, um dos principais benefícios esperados é a redução da incerteza sobre interpretações e obrigações.

Regras mais objetivas permitem que as empresas planejem melhor suas operações e seus procedimentos de atendimento.

Para o consumidor, a expectativa é que a clareza regulatória também facilite a identificação dos direitos e dos caminhos disponíveis para solucionar problemas.

A segurança jurídica, portanto, é apresentada pela ANAC como um instrumento que pode beneficiar os dois lados da relação.

Debate ainda envolve diferentes setores

A revisão da regulamentação deverá ser acompanhada por empresas aéreas, órgãos de defesa do consumidor, entidades do setor, especialistas e representantes do Poder Judiciário.

A discussão é particularmente relevante porque alterações nas regras podem produzir efeitos sobre milhões de passageiros.

O desafio será encontrar um ponto de equilíbrio entre proteção do consumidor, sustentabilidade econômica das companhias e estímulo à concorrência.

ANAC busca novo equilíbrio para o setor

A mudança proposta pela agência representa uma tentativa de enfrentar um dos problemas estruturais da aviação brasileira.

O objetivo não é apenas diminuir o número de processos, mas criar mecanismos capazes de resolver conflitos de maneira mais rápida e eficiente.

Ao revisar a Resolução nº 400 e fortalecer instrumentos de resolução consensual, a ANAC pretende construir um ambiente no qual passageiros tenham acesso mais claro aos seus direitos e empresas disponham de maior previsibilidade para cumprir suas obrigações.

Se as medidas forem implementadas de forma equilibrada, a expectativa é que a redução da judicialização contribua para um mercado aéreo mais competitivo, eficiente e acessível aos consumidores.

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