A defesa de rapidez na tramitação do acordo Mercosul–União Europeia pelo Senado e pela Câmara dos Deputados revela mais do que urgência legislativa: expõe uma consciência política de que o Brasil não pode perder mais tempo em um mundo cada vez mais competitivo e fragmentado. Após mais de 26 anos de negociações, o desafio deixou de ser diplomático e passou a ser institucional.
A sinalização conjunta das lideranças do Congresso busca cumprir dois objetivos centrais. Internamente, evitar que o acordo se perca em disputas políticas, comissões intermináveis ou resistências corporativas. Externamente, enviar um recado direto à União Europeia: o Brasil está disposto a avançar e espera reciprocidade do lado europeu, onde o texto ainda enfrenta entraves jurídicos e políticos.
A criação de uma subcomissão específica para acompanhar o acordo reforça esse pragmatismo. Em vez de tratar o tema como mais um projeto entre tantos, o Congresso reconhece seu caráter estratégico, que envolve acesso a mercados, previsibilidade regulatória e atração de investimentos. Em um cenário global marcado por protecionismo seletivo e rearranjos geoeconômicos, acordos dessa magnitude tornaram-se raros — e, justamente por isso, valiosos.
Do ponto de vista econômico, os potenciais ganhos são evidentes. A abertura gradual de até 90% do comércio entre os blocos, aliada à ampliação de cotas para produtos agrícolas, tende a fortalecer exportações, gerar empregos e dinamizar regiões fora dos grandes centros. Estados exportadores veem no acordo não apenas números, mas segurança de longo prazo para planejar produção e investimentos.
Em síntese, a pressa defendida pelo Congresso não é impulsiva, mas estratégica. O acordo Mercosul–UE representa um teste de maturidade política para o Brasil: mostrar que o país é capaz de transformar negociações históricas em resultados concretos. Em um ambiente internacional cada vez mais competitivo, demorar pode significar ficar para trás.







































































