A forte redução no número de entradas não autorizadas na Alemanha ao longo dos últimos dois anos evidencia uma mudança concreta na política de controle migratório do país. Dados divulgados nesta quinta-feira (01/01) pela polícia de fronteira mostram que as medidas adotadas produziram impacto direto nos fluxos de imigração irregular.
Em 2025, foram registradas 62.526 entradas ilegais pelas fronteiras terrestres, aéreas e marítimas alemãs. O número representa uma queda expressiva quando comparado a 2024, ano em que houve 83.572 ocorrências, e, sobretudo, a 2023, quando os registros chegaram a 127.549 e os volumes mensais ultrapassavam 20 mil casos. Em dezembro de 2025, o total mensal caiu para menos de 4.600 entradas não autorizadas.
A reversão dessa trajetória está diretamente associada ao restabelecimento dos controles de fronteira em todas as travessias terrestres, medida adotada em setembro de 2024. A decisão ampliou controles parciais que já estavam em vigor e foi apresentada como resposta ao aumento da imigração irregular. Embora temporárias, essas ações já foram prorrogadas duas vezes, sinalizando sua centralidade na estratégia do governo.
Os dados oficiais indicam que, desde a retomada dos controles, dezenas de milhares de pessoas foram impedidas de entrar no território alemão por via terrestre. No mesmo período, quase 2.000 pessoas envolvidas com tráfico de migrantes foram presas, reforçando o argumento governamental de combate às redes de facilitação da imigração ilegal.
O endurecimento ganhou novo impulso em maio, após a posse do chanceler federal Friedrich Merz, líder da coalizão formada pela União Democrata Cristã (CDU), União Social Cristã (CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD). Sob a condução do ministro do Interior, Alexander Dobrindt, os controles passaram a ser ainda mais rigorosos.
Desde então, a polícia de fronteira recebeu orientações para barrar também a entrada de requerentes de asilo, com exceção de grupos considerados vulneráveis, como pessoas doentes ou mulheres grávidas. A diretriz representa uma inflexão relevante na prática migratória do país, tradicionalmente associada a padrões mais abertos de acolhimento.
Essas medidas ocorrem em um contexto sensível dentro do Espaço Schengen, onde, em regra, controles internos de fronteira não são permitidos. A legislação europeia, no entanto, prevê exceções em situações de ameaça à segurança ou crises específicas, fundamento utilizado pela Alemanha para justificar a adoção e a prorrogação dos controles.
No conjunto, os números reforçam a percepção de que o fortalecimento das fronteiras teve impacto direto na redução das entradas irregulares. Ao mesmo tempo, o caso alemão reacende o debate sobre os limites entre livre circulação, segurança e política migratória em um espaço que se baseia, justamente, na ausência de fronteiras internas.







































































