A Romênia não deverá receber em 2025 os 11 últimos caças F-16 previstos no pacote adquirido da Noruega, com a conclusão das entregas agora projetada para 2026. O adiamento ocorre em meio a um cenário de forte pressão sobre a cadeia logística europeia de aviação de combate, impulsionada principalmente pelo esforço contínuo de apoio militar à Ucrânia e pela necessidade de manter a frota ucraniana de F-16 em operação em um ambiente de guerra de alta intensidade.
Segundo informações da imprensa especializada romena, o atraso não está ligado a problemas contratuais ou financeiros, mas à priorização do fornecimento de peças de reposição, componentes críticos e capacidade industrial de manutenção para aeronaves destinadas à Ucrânia.
Com a intensificação das missões de defesa aérea e interceptação realizadas por Kiev, fabricantes e empresas de suporte passaram a direcionar recursos para atender uma demanda considerada estratégica pelos países da OTAN, o que acabou impactando outros clientes europeus que também operam o F-16.
Até o momento, a Força Aérea Romena já recebeu 21 dos 32 F-16 MLU adquiridos da Noruega. Dezesseis aeronaves estão baseadas na 71ª Base Aérea “General Emanoil Ionescu”, em Câmpia Turzii, onde equipam o 48º Esquadrão de Caça. Outros cinco jatos operam a partir da 57ª Base Aérea “Capitão Aviator Constantin Cantacuzino”, em Mihail Kogalniceanu, uma localização estratégica devido à proximidade com o Mar Negro e ao contexto de segurança no flanco oriental da OTAN.
Fontes do Ministério da Defesa romeno indicam que Bucareste optou por não pressionar a Noruega ou os fornecedores envolvidos para acelerar o cronograma em 2025. A avaliação interna é de que o número atual de aeronaves já é suficiente para sustentar as necessidades operacionais imediatas, especialmente considerando o ritmo de formação e conversão de pilotos, além da capacitação de equipes técnicas.
A transição do antigo MiG-21 LanceR para o F-16 envolve não apenas a incorporação dos aviões, mas também a consolidação de doutrina, infraestrutura, logística e integração plena aos sistemas de comando e controle da OTAN.
O contrato com a Noruega foi assinado em novembro de 2022, ao custo de cerca de 388 milhões de euros, e envolveu 32 F-16 MLU na configuração Block 15, após a Força Aérea Norueguesa concluir sua transição para o F-35A. As aeronaves passaram por processos de revisão e modernização antes da transferência, incorporando aviônicos atualizados, capacidade para empregar armamentos modernos e plena interoperabilidade com forças aliadas. Embora não sejam caças de última geração, os F-16 representam um salto significativo em relação às capacidades anteriores da Romênia em termos de defesa aérea e policiamento do espaço aéreo.
Além dos jatos adquiridos da Noruega, a Romênia já opera 12 F-16 comprados de Portugal, entregues entre 2017 e 2021, que marcaram o início da modernização da aviação de caça do país. Em paralelo, Bucareste também recebeu 18 F-16 dos Países Baixos pelo valor simbólico de 1 euro, destinados exclusivamente ao European F-16 Training Center, instalado na Base Aérea de Fetesti. Esse centro tornou-se um polo regional de treinamento, sendo utilizado por pilotos romenos e de países aliados, incluindo aviadores ucranianos, o que reforça o papel estratégico da Romênia dentro da Aliança Atlântica.
A sustentação de frotas de F-16 usadas tornou-se um desafio crescente na Europa. Vários países estão ao mesmo tempo desativando o modelo, transferindo aeronaves para aliados e competindo por peças, motores e slots de manutenção. A guerra na Ucrânia acelerou esse processo, criando gargalos industriais que afetam diretamente cronogramas de entrega e disponibilidade operacional.
Mesmo com o atraso das 11 aeronaves restantes, a estratégia romena permanece clara. O F-16 é visto como uma solução intermediária para garantir dissuasão e defesa aérea robustas até a introdução de um caça de quinta geração. Autoridades romenas já confirmaram a intenção de avançar para o F-35A na década de 2030, utilizando a experiência operacional com o F-16 para preparar pessoal, infraestrutura e doutrina para a próxima etapa.
Fonte: cavok







































































