A companhia aérea alemã Lufthansa foi escolhida pelo governo de Portugal para adquirir uma participação de até 49,9% na TAP Air Portugal, em uma operação avaliada em 1,201 bilhão de euros. O acordo representa uma nova etapa na privatização da transportadora portuguesa e prevê investimentos para ampliar sua frota, fortalecer a conectividade internacional e expandir as operações em Portugal.
O anúncio foi feito em 14 de outubro de 2026. A proposta da Lufthansa superou a apresentada pela concorrente Air France-KLM, com vantagem financeira de aproximadamente 163 milhões de euros. A conclusão da operação depende das autorizações regulatórias, incluindo a análise das autoridades europeias, e está prevista para ocorrer até o início de 2028.
TAP poderá ampliar frota e capacidade operacional
Um dos principais pontos do plano apresentado pela Lufthansa é o crescimento da frota da TAP. A previsão é alcançar 117 aeronaves em 2035 e chegar a 130 aviões posteriormente, acompanhando a expansão da companhia e as perspectivas para a infraestrutura aeroportuária portuguesa.
O projeto também contempla a possibilidade de transferir até oito aeronaves Airbus A350-900 para a TAP após 2030, além de modernizar a frota da Portugália, empresa regional ligada à transportadora portuguesa.
A ampliação da capacidade poderá abrir espaço para aumentar frequências e desenvolver novas ligações. No entanto, a expansão da frota não significa que novos destinos ou horários já estejam confirmados: esses detalhes dependerão da execução do plano operacional.
Porto ganha importância como segunda base
O projeto prevê reforçar o aeroporto do Porto como segunda base operacional da TAP, com oito aeronaves de longo curso. A estratégia busca distribuir melhor as operações pelo território português, sem abandonar a importância de Lisboa como principal centro de conexões da companhia.
O plano também prevê a manutenção da marca TAP, da sede em Portugal e das ligações aéreas com os arquipélagos dos Açores e da Madeira. A empresa deverá continuar integrada à Star Alliance, aliança global da qual já faz parte.
A cooperação comercial com outras companhias, incluindo United Airlines e Air Canada, também aparece entre as possibilidades de fortalecimento da rede internacional.
Brasil e América Latina estão entre as prioridades
A posição geográfica e a rede de rotas da TAP fazem da companhia uma peça estratégica para os planos de expansão da Lufthansa na América Latina. Segundo estimativas apresentadas pelo governo português, a participação conjunta das empresas no mercado de passageiros da região poderá passar de 9% para 20%.
A TAP deverá funcionar como uma plataforma de ligação entre a Europa, o Brasil e outros mercados de língua portuguesa, aproveitando sua presença consolidada no Atlântico Sul.
Para os passageiros brasileiros, a operação poderá favorecer o desenvolvimento de conexões e a ampliação gradual da oferta. Ainda assim, eventuais mudanças em frequências, horários e destinos dependerão das decisões comerciais e operacionais adotadas após a conclusão do negócio.
Investimentos em manutenção e formação profissional
O plano industrial apresentado pela Lufthansa inclui a integração da TAP Manutenção e Engenharia à rede da Lufthansa Technik, divisão do grupo especializada em manutenção aeronáutica. A proposta prevê aproximadamente 300 milhões de euros em investimentos na unidade industrial de Santa Maria da Feira, com potencial para criar 700 postos de trabalho.
Também estão previstos projetos relacionados à produção e ao fornecimento de combustíveis sustentáveis para a aviação, além da criação de uma escola de formação de pilotos em Tancos.
Essas iniciativas buscam ampliar a capacidade técnica da indústria aeronáutica portuguesa e gerar oportunidades de emprego qualificado.
Privatização poderá avançar para uma segunda fase
Na primeira etapa, a operação prevê a venda de 44,9% do capital da TAP à Lufthansa, com até 5% reservados aos trabalhadores. O Estado português permanecerá como acionista majoritário nesta fase.
O governo também indicou a possibilidade de avançar para uma segunda etapa até 2028, que poderá envolver a venda da participação remanescente e uma troca de ações capaz de tornar Portugal acionista do grupo Lufthansa.
A integração poderá formar um dos maiores grupos aéreos do mundo em receitas, passageiros e número de aeronaves. Para a TAP, a expectativa é obter maior capacidade de investimento e ampliar sua presença internacional, preservando sua identidade portuguesa e seu papel estratégico nas ligações entre a Europa, o Brasil e outros mercados.




























































