Representantes do cristianismo, judaísmo, islamismo, budismo e outras tradições religiosas debateram, em Astana, o papel da “diplomacia espiritual” em um contexto marcado por guerras e polarização social.
Astana, capital do Cazaquistão, reuniu, nesta quarta-feira, líderes e representantes das principais religiões do mundo com um objetivo comum: transformar o diálogo inter-religioso em um instrumento eficaz para a promoção da paz em meio a guerras, crises humanitárias e à crescente polarização social.
O encontro correspondeu à XXIV Reunião do Secretariado do Congresso de Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais, presidida por Yerlan Karin, vice-presidente do Cazaquistão. Participaram mais de 30 representantes de 20 países, incluindo representantes do cristianismo, judaísmo, islamismo, budismo, hinduísmo, taoismo e xintoísmo, bem como de organizações internacionais e da sociedade civil.
De acordo com o comunicado divulgado após o encontro, participaram representantes do Vaticano, do Patriarca de Jerusalém, Teófilo III, do secretário-geral da Liga Islâmica Mundial, bem como os rabinos-chefes sefardita e asquenazita de Israel. Além disso, Karin manteve reuniões com representantes do Conselho Muçulmano de Anciãos, do Ministério da Tolerância e Coexistência dos Emirados Árabes Unidos, bem como de organizações budistas e taoistas da China.
Em seu discurso, Karin destacou que a diplomacia espiritual complementa as negociações políticas, ajuda a manter abertos os canais de comunicação e contribui para a reconstrução da confiança. Segundo o vice-presidente, seu papel assume especial importância diante dos conflitos armados, das crises humanitárias, da disseminação do radicalismo e do discurso de ódio, bem como dos riscos climáticos e tecnológicos.
A iniciativa dá continuidade à Declaração de Astana sobre a Paz, adotada durante o VIII Congresso, em setembro de 2025. O fórum plenário é realizado na capital cazaque a cada três anos. A próxima edição do Congresso está prevista para 2028.
“O diálogo conduz à paz”
A diretora da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, Nihal Saad, agradeceu ao Cazaquistão por promover a compreensão mútua entre religiões e culturas.
“As Nações Unidas foram fundadas com base na convicção de que o diálogo conduz à paz. Hoje, essa verdade é mais importante do que nunca”, declarou em sua mensagem. “Precisamos construir pontes em nosso mundo dividido”.
Além da questão da paz, os participantes da reunião aprovaram dois documentos: um dedicado ao papel das religiões no combate às mudanças climáticas e outro que estabelece um código de ética para o uso da inteligência artificial no âmbito religioso, com o objetivo de prevenir a manipulação das crenças e a distorção de textos sagrados.
Também foi apresentada a Carta dos Direitos das Crianças com Doenças Incuráveis, elaborada por iniciativa do Cazaquistão e da Santa Sé.
Entre os participantes estava o imã Marwan Gill, presidente da comunidade muçulmana ahmadia na Argentina, que, segundo o comunicado oficial, foi o único representante da América Latina convidado para o encontro.
O imã Marwan Gill, presidente da comunidade muçulmana ahmadia na Argentina, durante o encontro de líderes religiosos em Astana, Cazaquistão.
“O encontro e o diálogo entre representantes de diferentes religiões constituem o primeiro passo de uma longa jornada rumo à construção de um mundo mais humano e seguro”, declarou Gill.
“A paz que todos almejamos e que constitui a essência de todas as religiões exige esforços conjuntos. Agora, na próxima etapa, é fundamental transformar o diálogo e as palavras em ações e iniciativas concretas”.
https://www.religiondigital.org/mundo/lideres-religiosos-reunen-kazajistan-aportar_1_1469009.html




























































