Brasil e Dinamarca deram um novo passo no fortalecimento das relações bilaterais com a assinatura de um Quadro de Parceria Estratégica para o período de 2026 a 2031. O acordo estabelece uma agenda de cooperação em áreas como mudanças climáticas, energia, saúde, inovação, digitalização, segurança, comércio e investimentos.
O documento foi firmado em 22 de setembro, em Nova York, durante a semana de alto nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O instrumento foi assinado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen.
Parceria terá quatro áreas prioritárias
A nova estratégia de cooperação está organizada em quatro grandes pilares. O primeiro envolve o combate às mudanças climáticas, à perda de biodiversidade e ao desmatamento.
O segundo contempla a construção de sociedades mais eficientes, sustentáveis e saudáveis. O terceiro está relacionado ao fortalecimento da democracia, da paz, da segurança e da cooperação internacional.
Já o quarto eixo concentra esforços na ampliação dos laços econômicos entre Brasil e Dinamarca, incluindo comércio, investimentos e integração empresarial.
Brasil e Dinamarca ampliam cooperação em energia
A transição energética ocupa posição importante na nova agenda bilateral. Os dois países pretendem ampliar o Programa de Parceria Energética Brasil-Dinamarca e desenvolver iniciativas relacionadas à transição para modelos de energia mais sustentáveis.
Também estão previstas oportunidades de cooperação em energias renováveis e combustíveis sustentáveis, áreas consideradas estratégicas diante das mudanças na matriz energética mundial.
A agenda ambiental inclui ainda conservação de florestas, restauração de áreas degradadas, agricultura sustentável e mecanismos de financiamento para projetos relacionados ao clima.
Saúde, tecnologia e inovação entram no acordo
A cooperação bilateral também será ampliada em áreas ligadas à inovação e à transformação digital.
Brasil e Dinamarca pretendem aprofundar iniciativas em sistemas de saúde, governo digital, propriedade intelectual, cidades sustentáveis e inovação tecnológica.
A parceria contempla ainda setores como bioeconomia, biotecnologia, agricultura de precisão, segurança alimentar e processamento sustentável de alimentos.
Na área digital, os dois governos planejam desenvolver soluções para tornar os serviços públicos mais eficientes e seguros, incluindo aplicações voltadas à saúde.
Cooperação internacional e democracia
Outro componente da parceria envolve a atuação conjunta em temas internacionais.
Brasil e Dinamarca pretendem ampliar a coordenação em organismos multilaterais, especialmente nas Nações Unidas, com atenção a questões relacionadas aos direitos humanos, direito internacional humanitário, proteção de civis em conflitos, igualdade de gênero e combate à discriminação.
O acordo também prevê iniciativas para fortalecer a aproximação entre Europa e América Latina e Caribe, inclusive por meio das relações entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia.
Comércio e investimentos ganham espaço
No campo econômico, os dois países pretendem aumentar o comércio bilateral e estimular novos investimentos.
Entre os setores considerados prioritários estão energias renováveis, combustíveis sustentáveis, indústria marítima, ciências da vida e agricultura.
Brasil e Dinamarca também deverão avaliar instrumentos financeiros, incluindo mecanismos vinculados ao programa europeu Global Gateway, para apoiar investimentos em áreas consideradas estratégicas.
A parceria prevê ainda esforços para fortalecer as relações comerciais entre o Brasil e a União Europeia, incluindo a implementação do Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia.
Relações diplomáticas completam dois séculos
Brasil e Dinamarca mantêm relações diplomáticas desde 1828, quando os dois países assinaram um Tratado de Comércio e Navegação.
A relação bilateral chegará ao bicentenário em 2028, criando uma oportunidade adicional para ampliar iniciativas diplomáticas, econômicas e culturais.
O novo acordo prevê avaliações anuais da parceria por meio de consultas políticas entre os governos. Depois de cinco anos, os países deverão realizar uma revisão para avaliar os resultados alcançados e identificar possíveis novas áreas de cooperação.
Plano de ação deverá transformar acordo em projetos
Para colocar os compromissos em prática, Brasil e Dinamarca deverão elaborar um Plano de Ação com projetos específicos e mecanismos de acompanhamento.
A iniciativa estabelece, assim, uma agenda de longo prazo que reúne temas econômicos, ambientais, tecnológicos e diplomáticos.
A expectativa é que a estrutura criada pelo acordo facilite a transformação das prioridades definidas pelos dois governos em projetos concretos de cooperação até 2031.





























































