A Europa enfrenta novas pressões sobre os preços dos combustíveis após ataques contra o oleoduto Leste-Oeste, na Arábia Saudita, uma das principais rotas utilizadas para transportar petróleo sem depender do Estreito de Ormuz.
O oleoduto, com cerca de 1.200 quilômetros de extensão, foi temporariamente fechado depois de ataques de drones atingirem sua infraestrutura. A interrupção aumentou as preocupações sobre o abastecimento internacional de petróleo e sobre os impactos que uma redução prolongada dos fluxos pode provocar nos preços do diesel e da gasolina.
Ataque afeta importante rota de petróleo
O oleoduto Leste-Oeste, também conhecido como Petroline, conecta áreas produtoras de petróleo no leste da Arábia Saudita ao litoral do Mar Vermelho.
A estrutura ganhou ainda mais importância diante das restrições no Estreito de Ormuz, uma das principais passagens marítimas utilizadas pelo comércio mundial de petróleo e gás.
Segundo informações de mercado, o oleoduto vinha transportando entre 4 milhões e 5 milhões de barris de petróleo por dia. Uma paralisação prolongada poderia retirar do mercado uma parcela significativa da oferta mundial.
Preços do petróleo aumentam pressão sobre governos
A interrupção ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado energético. O petróleo Brent chegou a ser negociado acima de US$ 113 por barril nesta semana, refletindo as preocupações com possíveis interrupções no fornecimento.
O impacto é particularmente relevante para o mercado europeu de diesel, que depende de uma combinação de produção doméstica e importações.
A Agência Internacional de Energia e empresas do setor acompanham a evolução dos fluxos internacionais, enquanto refinarias europeias procuram alternativas para garantir o abastecimento.
De acordo com informações citadas pela Euronews, pelo menos três refinarias europeias tiveram carregamentos previstos para o fim de setembro cancelados ou adiados. A empresa polonesa Orlen, por sua vez, ampliou as compras de combustíveis provenientes de países como Noruega, Reino Unido, Argélia, Cazaquistão, Azerbaijão e países das Américas.
França anuncia medidas para reduzir impacto
O governo francês passou a discutir medidas para diminuir os efeitos da alta dos combustíveis sobre consumidores e empresas.
O presidente Emmanuel Macron determinou uma mobilização para enfrentar a elevação dos preços e afirmou que o país trabalha para garantir o fornecimento de petróleo.
A França também defende a retomada da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e a proteção das infraestruturas energéticas do Oriente Médio como parte da estratégia para reduzir os riscos de novos choques de oferta.
Itália altera cobrança sobre veículos
Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni anunciou a eliminação de um imposto aplicado a automóveis de menor e média potência.
A medida foi apresentada pelo governo como uma forma de direcionar recursos para reduzir os efeitos do aumento dos custos relacionados ao transporte e ao combustível.
Roma também solicitou à Comissão Europeia maior flexibilidade nas regras fiscais diante da pressão provocada pelo aumento dos preços da energia.
Espanha amplia desconto sobre o diesel
A Espanha adotou uma medida semelhante para reduzir o impacto da alta do diesel. Desde 1º de setembro, o governo aumentou para 20 centavos de euro por litro o corte tributário aplicado ao combustível.
A decisão ocorreu depois de o preço do diesel registrar alta de 15,7% em julho, acionando um mecanismo previsto no pacote de medidas criado pelo governo espanhol para situações de crise.
O ministro da Economia espanhol, Carlos Cuerpo, também passou a discutir com representantes de diferentes setores os efeitos econômicos da escalada dos preços da energia.
Alemanha prepara novas medidas
A Alemanha também avalia mecanismos para reduzir os impactos do encarecimento dos combustíveis. O chanceler Friedrich Merz afirmou que Berlim deverá apresentar medidas para aliviar a pressão sobre consumidores.
O preço da gasolina e do diesel no país chegou a € 2,45 por litro em 17 de setembro, segundo dados citados pela Euronews.
Ao mesmo tempo, o governo alemão considera que a solução para a pressão energética depende de uma atuação internacional, especialmente diante dos riscos envolvendo as rotas de transporte de petróleo no Oriente Médio.
União Europeia monitora abastecimento
Apesar das preocupações com os preços, a Comissão Europeia informou que não identificava, naquele momento, um problema de abastecimento de diesel no bloco.
Segundo a Comissão, a demanda europeia vinha sendo atendida por meio do aumento da produção das refinarias da própria União Europeia e da utilização de fornecedores alternativos no mercado internacional.
A instituição, porém, reconheceu que a evolução do conflito no Oriente Médio e o aumento sazonal da demanda durante o outono e o inverno podem apertar ainda mais o mercado nos próximos meses.
Debate sobre tributação de empresas de energia
A alta dos preços também reacendeu na Europa o debate sobre a criação de impostos extraordinários sobre os lucros de empresas do setor energético.
Parlamentares europeus e representantes de grupos políticos defenderam que eventuais receitas adicionais sejam utilizadas para financiar medidas de apoio às famílias mais afetadas pelo aumento das contas de energia e dos combustíveis.
Países como Alemanha, Espanha, Portugal, Itália, Polônia e Áustria já haviam solicitado que a questão de um mecanismo europeu de tributação sobre lucros extraordinários fosse discutida no âmbito da União Europeia.
O episódio envolvendo o oleoduto saudita, portanto, acrescenta uma nova variável à pressão sobre o mercado energético europeu. Embora não haja, no momento, indicação de escassez generalizada de diesel na União Europeia, a duração da interrupção e a evolução dos conflitos no Oriente Médio serão determinantes para os preços e para as decisões dos governos nas próximas semanas.





























































