Entrevista realizada em Busan, na Coreia do Sul, em evento da Unesco sobre patrimônios mundiais.
O Brasil está prestes a conquistar mais um importante reconhecimento internacional. O Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, estão na reta final da candidatura à Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. A proposta brasileira prevê que os dois monumentos sejam reconhecidos como um único bem cultural, denominado “Teatros da Amazônia”.
A candidatura reúne dois dos mais importantes símbolos culturais da região amazônica e representa um marco na valorização da história, da arquitetura e da diversidade cultural brasileira. Em entrevista, o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, fala sobre a expectativa para a decisão do Comitê do Patrimônio Mundial, explica a importância do reconhecimento e destaca os impactos que a possível inscrição poderá trazer para a preservação do patrimônio e para o desenvolvimento da Amazônia.
Entrevistadora: O Brasil já possui 25 bens reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO e agora busca a inscrição dos Teatros da Amazônia. Como o senhor avalia essa candidatura? O reconhecimento deverá ocorrer como um único patrimônio ou existe a possibilidade de os teatros serem analisados separadamente?
Deyvesson Gusmão – Presidente do Iphan: Nós não trabalhamos com outra possibilidade. A candidatura está sendo defendida em todas as instâncias técnicas, inclusive no próprio comitê, na sua integralidade, que é a de “Teatros da Amazônia”. Esse é o bem cultural. Então nós não teremos dois bens culturais reconhecidos, nós teremos um só, que são os Teatros da Amazônia, né? E o Brasil é um país que tem uma experiência grande, que tem uma atuação consolidada no campo do patrimônio cultural e da internacionalização da cultura brasileira por meio do patrimônio cultural. Nós acreditamos que teremos sucesso no resultado que será proferido em breve pelo comitê.
Entrevistadora: Caso os Teatros da Amazônia recebam o título de Patrimônio Mundial, quais serão os principais impactos para a região amazônica? Que benefícios esse reconhecimento pode trazer para cidades como Manaus e Belém, para as comunidades locais e para o Brasil, seja na preservação, no turismo ou em novas oportunidades de investimento?
Deyvesson Gusmão – Presidente do Iphan: Bom, a primeira coisa é que um bem, quando é considerado um Patrimônio Mundial, ele faz jus a um plano de gestão que deverá ser construído pelo Estado brasileiro junto com as suas instâncias nacionais, subnacionais e, sobretudo, numa perspectiva de gestão compartilhada com a comunidade, com a sociedade. Então acho que esse é o primeiro ganho, que é o fato de a gente ter um instrumento de planejamento de ações que visem ali à conservação para que seja garantida a continuidade dessas edificações que são tão importantes para a Amazônia.
E aí a segunda coisa deriva exatamente da importância que essas duas edificações têm, né? Não só para Manaus e Belém, mas para a Amazônia, considerando o contexto histórico, político e econômico em que foram construídos, mas também a sua vitalidade nos dias de hoje, que liga a Amazônia ao restante do Brasil e ao restante do mundo a partir de todo o circuito cultural que eles engendram.




























































