O Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO decidiu incluir a antiga cidade de Quersoneso Táurico, localizada na Península da Crimeia, na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo. A medida foi aprovada durante a reunião anual da organização e reflete a crescente preocupação internacional com a preservação do sítio arqueológico, considerado um dos mais importantes remanescentes da colonização grega na região do Mar Negro.
Reconhecido como Patrimônio Mundial desde 2013, Quersoneso Táurico passou a enfrentar desafios ainda maiores após a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014. Segundo a UNESCO, o local apresenta sinais de degradação decorrentes de escavações realizadas sem autorização, novas construções e intervenções que comprometem a autenticidade e a integridade do conjunto histórico.
O relatório analisado pelo Comitê aponta que milhões de artefatos arqueológicos teriam sido removidos do sítio e transferidos para instituições russas sem o consentimento das autoridades ucranianas. Para Kiev, a decisão da UNESCO representa um reconhecimento internacional das ameaças enfrentadas pelo patrimônio cultural localizado na península sob ocupação russa.
A delegação ucraniana afirmou que os danos registrados em Quersoneso fazem parte de um processo contínuo de transformação do patrimônio cultural da região. O governo da Ucrânia sustenta que as alterações promovidas desde 2014 afetam não apenas a conservação física das ruínas, mas também seu valor histórico e arqueológico.
Fundada por colonizadores gregos dóricos no século V antes de Cristo, Quersoneso Táurico preserva vestígios urbanos, edificações, áreas agrícolas históricas e importantes registros da expansão da civilização helênica às margens do Mar Negro. O complexo é considerado uma referência para estudos sobre a Antiguidade e integra a lista de bens culturais de relevância universal da UNESCO.
A Lista do Patrimônio Mundial em Perigo reúne locais considerados vulneráveis devido a fatores como conflitos armados, ocupações militares, urbanização desordenada, desastres naturais ou degradação ambiental. A inclusão de um bem nessa relação busca mobilizar a comunidade internacional para ampliar as ações de monitoramento, preservação e recuperação desses patrimônios históricos.





























































