A 48ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, realizada em Busan, na Coreia do Sul, reúne representantes de diversos países para decidir quais locais passarão a integrar a lista de Patrimônios Mundiais da organização. Ao longo do encontro, especialistas analisam 30 candidaturas apresentadas por diferentes nações, envolvendo bens culturais, naturais e mistos considerados de valor universal excepcional.
As propostas refletem a diversidade histórica, cultural e ambiental do planeta. Entre os locais em avaliação estão paisagens naturais preservadas, monumentos históricos, sítios arqueológicos, construções religiosas, áreas de importância geológica e regiões que desempenham papel relevante na conservação da biodiversidade.
Na categoria cultural, figuram candidaturas que representam diferentes períodos da história da humanidade, incluindo antigas rotas comerciais, conjuntos arquitetônicos, fortalezas, centros urbanos históricos e locais ligados às tradições e à formação de diversas civilizações. Já na categoria natural, estão parques nacionais, ecossistemas de elevada biodiversidade e áreas reconhecidas por sua importância para a preservação ambiental.
Além das novas inscrições, o Comitê também acompanha o estado de conservação de patrimônios já reconhecidos anteriormente. Durante a sessão, são debatidas medidas para proteger sítios ameaçados por fatores como mudanças climáticas, crescimento urbano desordenado, conflitos e pressão do turismo, reforçando o compromisso internacional com a preservação do patrimônio cultural e natural.
A obtenção do título de Patrimônio Mundial representa um reconhecimento internacional da importância histórica, cultural ou ambiental de determinado local. O selo da UNESCO costuma ampliar a visibilidade turística, atrair investimentos para conservação e estimular ações voltadas à pesquisa, educação patrimonial e desenvolvimento sustentável.
As decisões anunciadas ao longo da reunião poderão ampliar a lista de bens reconhecidos pela organização, fortalecendo iniciativas globais de preservação e incentivando a cooperação entre governos, instituições e especialistas dedicados à proteção do patrimônio da humanidade.
Realizada pela primeira vez na Coreia do Sul, a sessão do Comitê do Patrimônio Mundial consolida Busan como centro das discussões internacionais sobre conservação, reunindo delegações de diferentes continentes para definir os próximos locais que passarão a receber uma das mais importantes certificações concedidas pela UNESCO.
- Arábia Saudita: Recifes de coral do Golfo de Aqaba, no norte do Mar Vermelho.
- Dinamarca: Área do oeste do Limfjord com fósseis de peixes de cerca de 56 milhões de anos.
- Emirados Árabes Unidos: Uádi Wurayah, região montanhosa com vales, nascentes e espécies adaptadas ao clima árido.
- Estados Unidos: Refúgio Nacional de Vida Selvagem de Okefenokee, na Geórgia, uma extensa área de pântanos e florestas alagadas.
- Rússia: Montes isolados de Toratau, Kushtau e Yuraktau, na região da Bashkiria, formados por antigos recifes marinhos fossilizados.
- Jordânia: Reserva Marinha de Aqaba, no Mar Vermelho, conhecida pelos recifes de coral e pela diversidade de espécies marinhas.
- Sudão do Sul: Paisagem de Boma-Badingilo, rota de uma das maiores migrações de animais selvagens do mundo. A candidatura será analisada em caráter de urgência.
- Brasil: Conjunto formado pelo Teatro Amazonas, em Manaus (AM), e pelo Theatro da Paz, em Belém (PA). Construídos no fim do século XIX, durante o ciclo da borracha, os dois edifícios combinam referências arquitetônicas europeias com elementos da fauna, da flora e da cultura amazônicas.
- Cazaquistão: Mesquitas escavadas em rochas e outros locais sagrados da região de Mangystau.
- Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Uzbequistão: Trecho das antigas Rotas da Seda que atravessa o Vale de Fergana e acompanha o Rio Syr Darya.
- China: Antigos locais de produção de porcelana em Jingdezhen, cidade conhecida mundialmente por essa atividade.
- Comores: Centros históricos murados ligados aos antigos sultanatos do arquipélago.
- Espanha: Paisagem da Ribeira Sacra, marcada por rios, cânions, vinhedos e mosteiros.
- Estado da Palestina: Sebastia, antiga cidade com ruínas de diferentes períodos históricos. A candidatura será analisada em caráter de urgência.
- Finlândia: Conjunto de 13 edifícios e complexos projetados pelo arquiteto finlandês Alvar Aalto e seus colaboradores ao longo do século XX.
- França: Sistema de fortalezas construído nos séculos XIII e XIV para proteger a região de Carcassonne.
- França: Praias da Normandia onde as forças aliadas desembarcaram em 6 de junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.
- Índia: Sarnath, local próximo a Varanasi onde, segundo a tradição budista, Buda fez seu primeiro sermão.
- Itália: Conjunto de teatros históricos da Itália central, construídos nos séculos XVIII e XIX e financiados coletivamente por famílias e moradores das cidades.
- Japão: Sítios arqueológicos de Asuka e Fujiwara, antigas capitais que concentraram o poder político do Japão entre os séculos VI e VIII.
- Mongólia: Túmulos monumentais ligados à nobreza Xiongnu, povo nômade que dominou partes da Ásia Central na Antiguidade.
- Polônia: Centro de Gdynia, cidade portuária planejada e construída principalmente nas décadas de 1920 e 1930, com arquitetura modernista.
- Portugal: Conjunto de fortalezas em Almeida, Elvas, Marvão e Valença, construídas para defender a fronteira com a Espanha.
- Irã: Castelo de Alamut e outras fortificações construídas nas montanhas de Alborz, ligadas ao poder dos ismaelitas na Idade Média.
- São Tomé e Príncipe: Antigas roças que estruturaram a produção agrícola colonial, sobretudo de cacau e café, com uso de mão de obra submetida à migração forçada.
- Tailândia: Wat Phra Mahathat Woramahawihan, templo budista histórico de Nakhon Si Thammarat e importante centro religioso do sul do país.
- Tunísia: Vila costeira de Sidi Bou Saïd, conhecida pelas construções brancas e azuis e por sua influência sobre artistas e pensadores do Mediterrâneo.
- Turquia: Fortaleza romana de Zerzevan e templo subterrâneo dedicado ao culto de Mitra.
- Uzbequistão: Conjunto de edifícios modernistas de Tashkent que combina referências arquitetônicas soviéticas e tradições da Ásia Central.
Sítio misto (cultural e natural)
- Grécia: Área ampliada do Monte Olimpo, que reúne o pico mais alto do país, paisagens montanhosas e locais associados à mitologia grega.