Entre os dias 27 e 29 de janeiro, Representantes do Governo do Brasil e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) participaram, nesta semana, de uma missão técnica ao Chile com o objetivo de fortalecer a troca de experiências entre países da região sobre a construção de cidades mais sustentáveis, inclusivas e resilientes.
A iniciativa reuniu equipes da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da FAO.
Durante a missão, a delegação brasileira conheceu a experiência chilena na formulação e implementação do projeto GEF-8 Cidades Sustentáveis, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility) e executado com apoio da FAO. A iniciativa promove infraestruturas verdes e soluções baseadas na natureza para enfrentar os desafios ambientais nas áreas urbanas.
A agenda da missão teve como foco o intercâmbio de aprendizados sobre governança, financiamento ambiental e integração entre políticas climáticas e sistemas alimentares nas cidades.
A iniciativa foi organizada no âmbito do projeto regional entre o Brasil e a FAO “Sistemas Agroalimentares Urbanos”, do qual o Chile faz parte, e representa oportunidade para aprofundar a cooperação Sul–Sul sobre estes temas na região.
Experiência chilena inspira iniciativas no Brasil
Ao longo dos encontros técnicos, as equipes analisaram os arranjos institucionais, os mecanismos de coordenação intersetorial e a articulação com governos locais no âmbito do Programa de Impacto de Cidades Sustentáveis do GEF-8. O Chile é o primeiro país da América Latina a implementar esse programa.
A experiência foi considerada uma referência para o Brasil, especialmente no que se refere à integração entre planejamento urbano, preservação ambiental e segurança alimentar.
Compartilhamento de políticas e boas práticas
Durante as jornadas de trabalho, a delegação brasileira apresentou políticas públicas e instrumentos desenvolvidos no país, como o Programa Cidades Verdes Resilentes, a Estratégia Alimenta Cidades e o Marco de Referência de Sistemas Alimentares e Clima para Políticas Públicas — lançado durante a COP30 — e o Plano de Aceleração de Soluções para a Transformação dos Sistemas Alimentares e a Ação Climática, elaborado em parceria com a FAO.
Segundo Gisele Bortolini, coordenadora-geral de Promoção da Alimentação Saudável do MDS, o intercâmbio evidenciou convergências entre as políticas dos dois países. “Compartilhamos a experiência do Alimenta Cidades, uma estratégia que integra sistemas alimentares e clima em nível local, e também aprendemos com a experiência chilena. Foram identificadas importantes convergências, especialmente nos processos de formulação e governança, que envolvem múltiplos atores”, destacou.
Para Riffat Rego Iqbal, analista de projetos da ABC/MRE, Brasil e Chile enfrentam desafios semelhantes no contexto urbano. “Compartilhamos desafios relacionados às mudanças climáticas, à redução das desigualdades e ao fortalecimento da resiliência territorial. O intercâmbio contribuiu para a construção conjunta de soluções voltadas a cidades mais justas, sustentáveis e inclusivas”, afirmou.
Visitas técnicas destacam impacto local
A missão também incluiu visitas técnicas a parques urbanos e projetos ambientais em Santiago. A delegação conheceu ações de recuperação de áreas anteriormente degradadas, hoje transformadas em espaços verdes que promovem biodiversidade, segurança alimentar e bem-estar para a população.
Entre os locais visitados, destacou-se o Parque André Jarlán, na comuna de Pedro Aguirre Cerda, considerado um dos principais exemplos da Estratégia de Cidades Verdes do país. O grupo também visitou a municipalidade de Cerro Navia, onde conheceu o primeiro banco municipal de alimentos do Chile.
O município preside a Rede de Cidades Intermediárias e Sistemas Alimentares (CISA), que reúne 68 municípios e atua no fortalecimento dos sistemas alimentares locais.
A missão reforçou o compromisso do Brasil com a cooperação internacional como instrumento para promover o desenvolvimento sustentável, fortalecer capacidades institucionais e ampliar o impacto positivo das políticas públicas nos territórios, tanto no próprio País como na região







































































