Addis Abeba – Desde 15 de julho de 2026, cerca de 4 mil representantes de diferentes segmentos da sociedade etíope participam, na capital Addis Abeba, da etapa final da Conferência Nacional de Diálogo, iniciativa conduzida pela Comissão Nacional de Diálogo da Etiópia, órgão independente criado pela Câmara dos Representantes do Povo.
Considerado o maior processo participativo já realizado no país, o diálogo nacional reúne cidadãos de diversas regiões e setores para discutir questões consideradas fundamentais para o futuro da Etiópia. A iniciativa é resultado de quatro anos de consultas públicas, definição de agendas e preparação dos debates, com o objetivo de construir consensos sobre temas de interesse nacional.
Na cerimônia de abertura, o primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali afirmou que o diálogo representa uma oportunidade para inaugurar uma nova etapa da história política do país. Segundo ele, a discussão aberta, a consulta e a confiança mútua constituem o caminho para encontrar soluções duradouras para os desafios nacionais. O chefe de governo também reiterou o apoio do Executivo ao processo.
Ao longo das próximas semanas, os participantes discutirão oito eixos temáticos definidos a partir de consultas realizadas em todo o território nacional: construção do Estado, identidade e história; estrutura de governo e federalismo; situação das cidades federais, incluindo Addis Abeba; assuntos religiosos; Estado de Direito e direitos humanos; desenvolvimento socioeconômico; combate à corrupção; e construção da paz e reconciliação.
De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Diálogo, professor Mesfin Araya, os debates ocorrerão em diferentes formatos. Inicialmente, os participantes serão distribuídos em pequenos grupos de 10 a 50 pessoas. Em seguida, as discussões avançarão para grupos maiores, até culminarem em oito grupos de aproximadamente 500 participantes cada, responsáveis pelas deliberações finais. Especialistas em temas como federalismo, identidade nacional, história e resolução de conflitos também participam do processo, oferecendo subsídios técnicos aos debates.
Segundo a Comissão, o diálogo nacional busca criar um espaço institucional para que divergências políticas e sociais sejam tratadas por meio do debate e da negociação, fortalecendo mecanismos democráticos e ampliando a participação cidadã.
Com mais de três mil anos de história e uma população composta por mais de 80 grupos étnicos, idiomas e tradições culturais, a Etiópia enfrenta o desafio de conciliar sua diversidade com as demandas de uma sociedade em transformação, marcada pelo crescimento econômico, pela expansão demográfica e por uma população predominantemente jovem.
Os organizadores defendem que o processo poderá contribuir para consolidar a estabilidade política, fortalecer a governança e impulsionar o desenvolvimento econômico do país. Também avaliam que a experiência etíope poderá servir de referência para outros países do Chifre da África, região frequentemente afetada por tensões políticas e conflitos, ao demonstrar o potencial do diálogo como instrumento de prevenção de crises e promoção da reconciliação.
A etapa final da Conferência Nacional de Diálogo representa um momento decisivo para a Etiópia, que aposta na construção de consensos por meio da participação cidadã, do diálogo e da negociação como bases para enfrentar desafios históricos e definir os rumos do país nas próximas décadas. Se o objetivo for publicação em jornal ou agência de notícias, também posso adaptar o texto para o padrão da Agência Brasil, Reuters ou AP, com linguagem ainda mais enxuta e imparcial.





























































