O chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz (CDU), afirmou nesta sexta-feira (13) que a ordem mundial baseada em direitos e regras está em processo de “destruição”, diante da crescente disputa por hegemonia entre Estados Unidos, Rússia e China.
Durante o discurso de abertura da 62ª Conferência de Segurança de Munique — encontro que reúne mais de 60 chefes de Estado e de governo — Merz afirmou que a arquitetura internacional construída no pós-guerra já não sustenta o atual equilíbrio de poder.
“A ordem internacional, baseada em direitos e regras, está prestes a ser destruída. Receio que temos de ser ainda mais claros. Essa ordem, por mais imperfeita que fosse mesmo nos seus melhores momentos, já não existe”, declarou o chanceler.
Segundo ele, a Europa encerrou um período de estabilidade prolongada e ingressa em uma fase marcada novamente pela lógica das grandes potências. “A Europa terminou um longo período de férias da história mundial. Cruzamos o limiar de uma era abertamente definida pelo poder e, sobretudo, pela política das grandes potências”, acrescentou.
Embora tenha reconhecido a relevância da integração europeia e das parcerias transatlânticas, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Merz alertou que esses mecanismos, isoladamente, já não são suficientes para garantir a preservação da liberdade e da estabilidade no continente.
Nesse contexto, o chanceler defendeu o fortalecimento de novas alianças estratégicas com países considerados atores-chave na reorganização da ordem global. Citou nominalmente Canadá, Japão, Turquia, Índia, Brasil, África do Sul e nações do Golfo como parceiros centrais para a construção de um novo arranjo internacional.
Merz ressaltou que a ampliação dessas parcerias não pressupõe alinhamento automático ou concordância plena, mas sim convergência estratégica em temas essenciais de segurança, comércio e estabilidade geopolítica.
A declaração sinaliza uma inflexão no discurso alemão: diante da fragmentação do sistema internacional, Berlim busca diversificar alianças e ampliar sua margem de manobra em um ambiente cada vez mais multipolar







































































