A Rússia manifestou oficialmente interesse em estabelecer voos diretos com o Brasil e afirmou estar disposta a oferecer condições operacionais facilitadas para companhias aéreas brasileiras que desejem atuar em território russo. A proposta foi apresentada nesta quinta-feira (5) pelo ministro dos Transportes da Rússia, Andrei Nikitin, durante encontros realizados em Brasília.
Segundo Nikitin, Moscou está pronta para viabilizar a operação imediatamente, cabendo agora ao governo brasileiro avaliar a iniciativa. “Propomos que o Brasil abra voos diretos. Estamos preparados para criar as condições mais confortáveis possíveis para as companhias aéreas brasileiras na Rússia”, declarou o ministro, em afirmação divulgada pela agência estatal russa TASS.
A proposta foi debatida no âmbito da 8ª Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN), fórum bilateral responsável por tratar de temas estratégicos entre os dois países, incluindo transporte, comércio, energia e infraestrutura. O encontro reforçou a intenção de aprofundar a cooperação prática entre Brasília e Moscou, especialmente em áreas logísticas e de conectividade internacional.
Apesar do interesse russo, Nikitin reconheceu que existem preocupações do lado brasileiro relacionadas ao ambiente internacional, sobretudo quanto às sanções impostas à Rússia por países ocidentais. Essas restrições podem afetar aspectos operacionais, financeiros e de seguros do setor aéreo, fatores considerados sensíveis pelas companhias que operam rotas internacionais de longo curso.
A abertura de voos diretos entre Brasil e Rússia representaria um avanço relevante na conectividade entre a América do Sul e o Leste Europeu, com potencial impacto positivo sobre o turismo, os negócios e o intercâmbio cultural. Atualmente, viagens entre os dois países exigem escalas em hubs europeus ou do Oriente Médio, o que eleva custos e tempo de deslocamento.
Do ponto de vista russo, a iniciativa também se insere em uma estratégia mais ampla de diversificação de rotas aéreas e fortalecimento de laços com parceiros fora do eixo tradicional europeu. Já para o Brasil, a proposta envolve uma avaliação cuidadosa dos riscos geopolíticos, regulatórios e comerciais, além da viabilidade econômica da operação.
Até o momento, o governo brasileiro não se manifestou oficialmente sobre a proposta. Caso avance, a negociação deverá envolver autoridades de aviação civil, ministérios setoriais e companhias aéreas interessadas, além de análises técnicas e jurídicas sobre segurança, seguros e conformidade com normas internacionais.








































































