O aprofundamento recente do diálogo entre Brasil e Filipinas na área de defesa voltou a colocar o cargueiro multimissão C-390 Millennium em posição de destaque nas discussões estratégicas entre os dois países. A possibilidade de aquisição da aeronave brasileira pelas forças armadas filipinas ganhou novo fôlego após uma rodada de contatos oficiais em Manila.
O movimento mais recente ocorreu com a visita do capitão Luciano da Silva Maciel, adido de defesa não residente do Brasil, ao Departamento de Defesa Nacional das Filipinas. O encontro contou com a participação do embaixador brasileiro Gilberto Fonseca Guimarães de Moura e de altos representantes do setor de defesa filipino, reforçando o interesse mútuo em ampliar a cooperação bilateral em áreas como logística militar, indústria de defesa e segurança marítima.
As conversas acontecem em um momento simbólico: 2026 marca os 80 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre Brasil e Filipinas. O contexto comemorativo tem servido como catalisador para iniciativas que buscam elevar o nível do relacionamento estratégico entre os dois países, especialmente no campo militar e industrial.
Esse diálogo coincide ainda com uma fase de crescente projeção internacional da indústria de defesa brasileira, liderada pela Embraer, que vem ampliando sua presença na Ásia. Recentemente, a empresa confirmou a venda de seis aeronaves A-29 Super Tucano adicionais para a Força Aérea das Filipinas, consolidando sua posição como fornecedora relevante para o país.
Paralelamente às iniciativas diplomáticas, a Embraer tem apresentado de forma ativa o C-390 Millennium à Força Aérea Filipina (PAF) e à Marinha do país. A proposta inclui não apenas a versão de transporte tático, mas também a variante de reabastecimento aéreo KC-390 e uma futura configuração de patrulha marítima, atualmente em desenvolvimento.
A oferta busca atender a um amplo espectro de demandas operacionais das Filipinas, que vão desde transporte estratégico e missões humanitárias até vigilância marítima e operações antissubmarino. Como um arquipélago extenso e frequentemente afetado por desastres naturais, o país depende de vetores aéreos capazes de operar com rapidez, transportar grandes volumes de carga e atuar em pistas curtas ou austera.
Embora a PAF tenha optado recentemente pela aquisição de três aeronaves C-130J-30 Super Hercules — decisão influenciada por fatores como maior alcance em missões de longa distância e familiaridade histórica com a plataforma — o C-390 segue sendo considerado como uma alternativa complementar ou especializada. A aeronave brasileira oferece maior capacidade de carga útil, aviônicos avançados e desempenho superior em velocidade, características relevantes para operações regionais e respostas rápidas.
No campo do reabastecimento em voo, o KC-390 também desperta atenção. Atualmente equipado com o sistema de mangueira e cesto, o modelo é compatível com aeronaves já em serviço nas Filipinas, como os caças FA-50, além de possíveis futuros vetores avaliados pelo país, como Gripen, Eurofighter Typhoon e Rafale. A Embraer estuda ainda o desenvolvimento de um sistema do tipo flying boom, o que ampliaria a compatibilidade para aeronaves como o F-16 Block 70/72 e o KF-21 Boramae, aumentando significativamente o apelo do KC-390 como plataforma de reabastecimento multifuncional.
Outro elemento estratégico é a versão de patrulha marítima do C-390, posicionada pela Embraer como uma alternativa de nova geração ao P-3 Orion. A proposta prevê maior alcance e flexibilidade em relação aos atuais ATR-72-600MP em operação nas Filipinas, além de capacidade multimissão mais robusta.
O país asiático planeja adquirir pelo menos três aeronaves de patrulha marítima com capacidade antissubmarino, enquanto a Marinha filipina também avalia a incorporação de um vetor próprio para vigilância marítima. Nesse cenário, uma plataforma comum às duas forças poderia reduzir custos logísticos, simplificar treinamento e aumentar a interoperabilidade.
Especialistas observam que o fortalecimento da cooperação político-militar entre Brasília e Manila cria um ambiente favorável para avanços concretos. Negociações dessa magnitude costumam ser precedidas por entendimentos diplomáticos, acordos de cooperação industrial e discussões sobre transferência de conhecimento, manutenção e treinamento — temas que já figuram na agenda bilateral.
Embora ainda não haja confirmação oficial de uma venda, a combinação de fatores — atuação ativa da Embraer, requisitos operacionais filipinos, desenvolvimento contínuo do KC-390 e o estreitamento das relações entre os dois países — aponta para um cenário cada vez mais propício à eventual incorporação do C-390 Millennium pelas forças armadas das Filipinas.
A visita do adido de defesa brasileiro, especialmente em um ano comemorativo para a diplomacia bilateral, sinaliza de forma clara a intenção de ambos os governos de elevar o patamar da cooperação em defesa, abrindo espaço não apenas para aquisições militares, mas também para parcerias industriais de longo prazo








































































