O governo do Vietnã conseguiu mudanças significativas na economia e país passa a ter mais estabilidade
Em termos comparativos, a reforma agrária combinada com crédito rural e segurança de uso da terra tende a ter o maior impacto imediato em países de baixa renda, sobretudo aqueles com grande população rural. No Vietnã, a queda acelerada da pobreza começou no campo, onde estava concentrada a maioria dos pobres. Ao garantir previsibilidade aos agricultores, elevar produtividade e renda e reduzir insegurança alimentar, essa política cria uma base social e econômica indispensável: libera mão de obra, gera excedentes e amplia o mercado interno. Sem esse primeiro movimento, a industrialização dificilmente teria avançado com a mesma velocidade.
A industrialização voltada à exportação, por sua vez, aparece como o principal motor de sustentação do crescimento no médio e longo prazo. Ela absorve a mão de obra liberada do campo, eleva salários urbanos, integra o país às cadeias globais e amplia a arrecadação fiscal. No entanto, essa estratégia exige pré-condições: estabilidade macroeconômica, infraestrutura mínima, força de trabalho alfabetizada e algum grau de coesão social. Países que tentam iniciar o processo exclusivamente pela via industrial, sem resolver gargalos agrários e sociais, costumam enfrentar crescimento desigual e bolsões persistentes de pobreza.
Já a expansão acelerada de serviços básicos — eletrificação, educação e saúde — funciona como política transversal, potencializando as duas anteriores. Isoladamente, ela melhora bem-estar, mas dificilmente transforma a estrutura produtiva. No caso vietnamita, esses serviços ampliaram a mobilidade social, elevaram produtividade e reduziram vulnerabilidades, garantindo que os ganhos econômicos se convertessem em melhoria efetiva das condições de vida.
Assim, a principal lição do Vietnã não está na escolha de uma política única, mas na sequência e na coordenação:
reforma agrária e produtividade rural para reduzir pobreza massiva;
industrialização exportadora para sustentar crescimento e emprego;
serviços básicos universais para consolidar inclusão e evitar retrocessos.
Países que buscam replicar o caso vietnamita tendem a ter mais sucesso quando entendem que essas políticas são complementares, e não alternativas excludentes, e que o impacto maior surge justamente da articulação entre elas ao longo do tempo.







































































