Uma iniciativa de recuperação das florestas de tugai no Cazaquistão foi incluída entre 18 experiências internacionais consideradas bem-sucedidas na restauração de florestas e paisagens naturais. O reconhecimento aparece no relatório O Estado das Florestas do Mundo 2026, elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
O projeto concentra suas ações no delta do rio Ili e na região sul do lago Balkhash, áreas importantes para a conservação dos ecossistemas ribeirinhos da Ásia Central. A iniciativa combina pesquisa científica, reprodução de espécies vegetais, preservação de recursos genéticos e participação das comunidades locais.
Recuperação de ecossistemas ameaçados
As florestas de tugai são formações vegetais que crescem ao longo de rios em regiões áridas e semiáridas. Esses ambientes funcionam como refúgios naturais em meio a paisagens secas, oferecendo abrigo para animais e contribuindo para a conservação da biodiversidade.
Entretanto, esses ecossistemas sofreram uma redução expressiva ao longo das últimas décadas, devido a fatores como alterações no fluxo dos rios, mudanças climáticas e pressão do pastoreio. A recuperação dessas áreas é considerada importante para restabelecer habitats e fortalecer o equilíbrio ambiental.
De acordo com a FAO, a iniciativa cazaque tem como meta restaurar 200 mil hectares de florestas de turanga. Até o momento, aproximadamente 25,5 mil hectares foram recuperados.
Ciência e tecnologia na restauração florestal
Um dos diferenciais do projeto é o uso de métodos científicos para ampliar a reprodução de árvores nativas, especialmente os álamos conhecidos como turanga. Entre as técnicas empregadas estão a coleta de sementes e estacas no ambiente natural, a propagação por sementes e a micropropagação clonal de espécies vegetais.
As mudas são adaptadas em estufas e viveiros antes de serem utilizadas nos trabalhos de restauração. Essas técnicas ajudam a produzir plantas em áreas onde a regeneração natural enfrenta dificuldades.
O Instituto de Biologia e Biotecnologia Vegetal do Cazaquistão também atua na conservação dos recursos genéticos das espécies locais. O trabalho inclui o armazenamento de sementes, estacas e amostras de DNA, além da manutenção de coleções vivas em jardins botânicos.
O projeto conta ainda com um criobanco com capacidade para conservar 100 mil sementes de turanga, contribuindo para a preservação da diversidade genética e para futuras ações de recuperação ambiental.
Comunidades locais participam das ações
A participação da população é outro componente importante da iniciativa. Moradores locais colaboram com a coleta de sementes, o cultivo de mudas e os cuidados com as plantas em viveiros.
A atuação comunitária favorece o envolvimento direto das pessoas na conservação dos recursos naturais e pode gerar oportunidades de renda, especialmente por meio das atividades de produção e manutenção de mudas.
Além de recuperar a vegetação, o projeto busca reconstruir habitats capazes de sustentar diferentes espécies de animais e contribuir para a estabilidade dos ecossistemas da região.
Reconhecimento internacional e perspectivas ambientais
A inclusão do projeto no relatório da FAO coloca a experiência do Cazaquistão entre os exemplos internacionais de restauração de paisagens naturais. O reconhecimento destaca a combinação de pesquisa, conservação genética, técnicas de propagação vegetal e participação comunitária.
A recuperação das florestas de tugai representa uma iniciativa relevante para proteger a biodiversidade e ampliar a resiliência ambiental em uma região vulnerável à degradação dos ecossistemas.
Com a continuidade das ações, o país pretende avançar na recuperação das áreas florestais e preservar um patrimônio natural importante para o equilíbrio ecológico da Ásia Central.





























































