A 18ª Cúpula do BRICS começa neste sábado, 12 de setembro, em Nova Déli, na Índia, reunindo chefes de Estado e de governo para dois dias de discussões sobre os principais desafios econômicos, políticos e estratégicos enfrentados pelos países do bloco.
Sob a presidência indiana, o encontro ocorre em um momento de transformação do BRICS, que passou por uma expressiva ampliação nos últimos anos e agora busca consolidar sua estrutura e aprofundar os mecanismos de cooperação entre seus integrantes.
Índia assume protagonismo na agenda do bloco
Como país anfitrião, a Índia chega à cúpula defendendo uma agenda voltada ao fortalecimento da cooperação entre as economias emergentes e à ampliação do papel dos países do Sul Global nas discussões internacionais.
A reunião em Nova Déli também representa uma oportunidade para os integrantes avançarem em propostas relacionadas a comércio, investimentos, finanças, tecnologia, energia e desenvolvimento.
A prioridade passa a ser transformar a expansão do grupo em resultados concretos, com iniciativas capazes de aumentar a integração econômica e a capacidade de atuação conjunta dos países-membros.
Xi Jinping e Putin estão entre os principais líderes
A cúpula contará com a participação de importantes chefes de Estado. O presidente chinês, Xi Jinping, confirmou presença no encontro após ser convidado pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
O presidente russo, Vladimir Putin, também participa da reunião, reforçando o peso político do encontro em meio às discussões sobre a reorganização das relações internacionais.
A presença dos dois líderes coloca China e Rússia entre os principais atores das negociações e amplia a relevância geopolítica da reunião.
Brasil será representado por Mauro Vieira
O Brasil participa da cúpula por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estará em Nova Déli, e a representação brasileira ficará a cargo do chanceler.
Vieira afirmou que o BRICS entra em uma etapa de consolidação após o período de expansão do grupo. A avaliação indica uma mudança de foco: além de incorporar novos integrantes, o bloco precisa fortalecer seus mecanismos de cooperação e transformar propostas em políticas e projetos concretos.
Finanças e moedas nacionais estão no centro das discussões
Um dos temas que ganhou força na agenda do BRICS é a ampliação do uso de moedas nacionais nas transações comerciais e financeiras entre os integrantes.
A proposta busca reduzir a exposição dos países às oscilações cambiais e ampliar alternativas para operações internacionais. A discussão não significa necessariamente a criação de uma moeda única do BRICS, mas procura facilitar pagamentos e investimentos utilizando as moedas dos próprios países.
O fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco do BRICS, também integra a agenda econômica. A instituição deve ampliar sua capacidade de financiar infraestrutura e projetos de desenvolvimento, além de buscar maior participação de capital privado.
Expansão aumenta importância do BRICS
A entrada de novos membros modificou a dimensão econômica e geográfica do grupo, que deixou de ser formado apenas por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Com a expansão, o BRICS passou a reunir países de diferentes regiões e com estruturas econômicas e interesses estratégicos variados. O desafio agora é criar mecanismos que permitam conciliar essas diferenças e manter uma agenda comum.
A cúpula de Nova Déli será, portanto, um momento decisivo para definir quais áreas receberão prioridade e como o bloco pretende avançar em sua nova fase.
Encontro reforça papel do Sul Global
Além das questões econômicas, a reunião deve reforçar a defesa de uma maior participação dos países em desenvolvimento na governança internacional.
O BRICS busca ampliar sua influência em debates sobre comércio, financiamento, desenvolvimento tecnológico e instituições multilaterais, apresentando-se como um espaço de articulação entre diferentes economias do Sul Global.
Com dois dias de reuniões, a expectativa é que os líderes avancem em compromissos capazes de fortalecer a cooperação interna e ampliar a presença do BRICS no cenário internacional.





























































