A disputa pela liderança em uma das tecnologias mais promissoras do setor energético ganhou força nos últimos anos. Estados Unidos e China concentram a maior parte dos investimentos privados destinados ao desenvolvimento da fusão nuclear, tecnologia considerada por especialistas como uma possível fonte de energia limpa, abundante e de alta capacidade para as próximas décadas.
Embora ainda existam desafios científicos, tecnológicos e econômicos para tornar a fusão nuclear comercialmente viável, governos, empresas e investidores vêm ampliando os recursos destinados ao setor, impulsionados pelo aumento da demanda global por eletricidade e pelo avanço da inteligência artificial, que exige centros de dados cada vez mais potentes.
Investimentos privados atingem níveis recordes
Segundo dados da organização europeia Fusion for Energy (F4E), os investimentos privados globais em empresas de fusão nuclear alcançaram US$ 13 bilhões até o fim de 2025, após um crescimento de cerca de 30% no segundo semestre do ano. Desse total, aproximadamente 85% dos recursos estão concentrados em projetos desenvolvidos nos Estados Unidos e na China.
O volume de investimentos reflete a expectativa de que a tecnologia possa transformar o setor energético nas próximas décadas, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e contribuindo para a descarbonização da economia.
Diferença entre fusão e fissão nuclear
Ao contrário das usinas nucleares convencionais, que geram energia por meio da fissão — processo que divide átomos pesados como o urânio —, a fusão nuclear produz energia ao unir núcleos de átomos leves, reproduzindo o mesmo fenômeno que alimenta o Sol.
Entre as vantagens apontadas pelos pesquisadores estão a elevada capacidade de geração de energia, a menor produção de resíduos radioativos de longa duração e o risco significativamente reduzido de acidentes em comparação com reatores nucleares tradicionais.
Empresas privadas aceleram desenvolvimento
Além dos grandes projetos financiados por governos, o setor vem registrando uma forte expansão da iniciativa privada.
Atualmente, 77 empresas trabalham no desenvolvimento de tecnologias de fusão nuclear em diferentes partes do mundo. Os Estados Unidos lideram esse movimento com 42 companhias, enquanto a China reúne oito empresas dedicadas ao segmento. O Reino Unido aparece na sequência com seis empresas, e a Alemanha também busca ampliar sua participação por meio de startups especializadas.
Grandes projetos seguem em andamento
Paralelamente aos investimentos privados, continua o desenvolvimento do ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor), considerado o maior projeto internacional de pesquisa em fusão nuclear.
O empreendimento reúne 35 países, incluindo Estados Unidos, China, membros da União Europeia, Japão, Índia, Coreia do Sul e outros parceiros internacionais. Apesar dos avanços científicos, o cronograma sofreu sucessivos atrasos, e a previsão atual é que a operação experimental tenha início entre 2034 e 2036.
Mercado pode movimentar centenas de bilhões de dólares
Especialistas avaliam que, caso os desafios tecnológicos sejam superados, a fusão nuclear poderá transformar profundamente a matriz energética mundial.
Estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que o mercado relacionado à energia de fusão poderá movimentar mais de US$ 350 bilhões até 2050, impulsionado pela crescente demanda por eletricidade em setores como transporte, indústria, computação em nuvem e inteligência artificial.
Apesar do otimismo, pesquisadores destacam que ainda serão necessários avanços importantes para tornar a tecnologia economicamente competitiva. Enquanto isso, Estados Unidos e China seguem ampliando investimentos e disputando a liderança em um dos campos científicos mais estratégicos da atualidade.







































































