O governo do México iniciou a implementação de um novo modelo de atendimento público que se aproxima do conceito do Sistema Único de Saúde, com previsão de entrada em operação a partir de janeiro de 2027. A proposta marca uma mudança estrutural relevante no sistema de saúde mexicano, historicamente fragmentado entre diferentes instituições.
A primeira fase do programa começa com o cadastramento de pessoas com mais de 85 anos, incluindo um acompanhante ou cuidador, com expectativa de alcançar cerca de 2 milhões de cidadãos em mais de 2 mil módulos de atendimento distribuídos por 24 estados. O processo será conduzido pela Secretaria de Bem-Estar e inclui a emissão de um documento unificado de identificação em saúde, que substituirá registros atualmente dispersos em instituições como o Instituto Mexicano del Seguro Social, o Instituto de Seguridad y Servicios Sociales de los Trabajadores del Estado e a Petróleos Mexicanos.
No centro da reforma está a unificação das bases de dados dos pacientes, permitindo que profissionais de saúde tenham acesso a prontuários completos, independentemente da rede de origem. A estratégia busca eliminar lacunas de informação clínica, reduzir erros médicos e aumentar a eficiência do atendimento. Um aplicativo digital também será desenvolvido para centralizar dados, incluindo resultados de exames laboratoriais.
O plano contempla investimentos robustos em infraestrutura e abastecimento de medicamentos, além da ampliação da capacidade hospitalar e cirúrgica. As prioridades iniciais incluem atendimentos emergenciais, gravidez de alto risco, doenças cardiovasculares, neurológicas e câncer de mama, além de ações preventivas, saúde mental e acompanhamento de doenças crônicas.
A partir de 2028, o foco será expandido para a integração plena dos serviços, com ênfase no atendimento a doenças crônico-degenerativas, como Alzheimer e artrite reumatoide, e na ampliação do acesso a especialistas.
A iniciativa foi anunciada pela presidente Claudia Sheinbaum, que defende o modelo como uma forma de garantir acesso mais equitativo à saúde. O desafio, no entanto, é significativo: o país possui uma população de cerca de 128 milhões de habitantes, com desigualdades regionais e limitações históricas na distribuição de profissionais e infraestrutura.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que, embora o México tenha avançado em indicadores sociais — como expectativa de vida de 75 anos e maior acesso à internet —, ainda enfrenta gargalos importantes, especialmente na oferta de profissionais de saúde.
A criação de um sistema mais integrado e digitalizado pode representar um salto qualitativo no atendimento, mas sua efetividade dependerá da capacidade de التنفيذar a unificação institucional e garantir financiamento sustentável no longo prazo.








































































