O setor aéreo europeu entrou em estado de alerta após o fechamento do Estreito de Ormuz, medida que já provoca restrições no abastecimento de aeronaves em aeroportos da Itália.
Quatro terminais italianos — Aeroporto de Veneza, Aeroporto de Milão Linate, Aeroporto de Treviso e Aeroporto de Bolonha — anunciaram restrições temporárias no fornecimento de querosene de aviação devido à escassez provocada pela interrupção das rotas energéticas do Golfo.
A decisão foi comunicada pela Air BP Italia às companhias aéreas por meio de um boletim informativo. As restrições permanecerão em vigor até pelo menos 9 de abril, com prioridade de abastecimento para voos de ambulância aérea, operações governamentais e rotas de longa duração, superiores a três horas.
Especialistas do setor alertam que a crise pode se estender para todo o continente. Segundo informações divulgadas pelo jornal Corriere della Sera, o último navio-tanque transportando querosene proveniente do Golfo Pérsico deve chegar ao porto de Rotterdam em 9 de abril. Após essa data, novas remessas podem ser interrompidas caso o bloqueio da rota marítima continue.
Projeções indicam que, até o fim de abril ou início de maio, os estoques de combustível de aviação na Europa poderão cair para cerca de metade dos níveis atuais. Estratégias logísticas emergenciais poderiam apenas adiar o impacto pleno da escassez por algumas semanas.
O problema é agravado pela forte dependência europeia de importações: aproximadamente 40% do combustível consumido no continente vem do Golfo Pérsico e da Índia. Com a guerra envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, rotas marítimas estratégicas estão comprometidas e parte das cargas vem sendo redirecionada para outras regiões.
Administradores aeroportuários e companhias aéreas já admitem impactos no custo das viagens. O grupo SAVE Group — responsável pelos aeroportos de Veneza e Treviso — e a companhia Ryanair indicaram que os preços das passagens devem subir após o período da Páscoa e durante a temporada de verão no hemisfério norte.
Embora o setor ainda tente evitar alarmismo, analistas apontam que a persistência do conflito pode transformar a atual restrição temporária em uma crise mais ampla de abastecimento para a aviação europeia.








































































