A Índia intensificou sua estratégia internacional para assegurar o fornecimento de minerais críticos e abriu negociações com Brasil, Canadá, França e Holanda para acordos conjuntos envolvendo exploração, extração, processamento e reciclagem dessas matérias-primas. A movimentação ocorre em meio ao esforço indiano para reduzir sua dependência externa e sustentar a transição energética do país.
As conversas, conduzidas sob sigilo, têm como foco principal o lítio e os elementos de terras raras — insumos considerados essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos de energia renovável e tecnologias avançadas. Além do acesso aos minerais, a Índia busca cooperação tecnológica, especialmente nas etapas de beneficiamento e processamento, hoje dominadas por poucos países.
A forte concentração da cadeia global desses minerais na China é vista por Nova Délhi como um risco estratégico. O país asiático responde por parcela significativa da produção e, sobretudo, do processamento mundial de terras raras, o que tem levado outras economias a diversificarem fornecedores e parceiros. Especialistas do setor lembram, contudo, que projetos de mineração exigem prazos longos: da fase de prospecção até a produção comercial, o processo pode levar mais de uma década, e nem sempre resulta em uma mina viável.
Segundo fontes envolvidas nas tratativas, a Índia pretende replicar, em parte, o modelo de cooperação firmado com a Alemanha em janeiro deste ano. O acordo prevê ações conjuntas em exploração, processamento, reciclagem e desenvolvimento de ativos minerais tanto nos dois países quanto em terceiros mercados. Negociações com França, Holanda e Brasil estariam em estágio inicial, enquanto o diálogo com o Canadá é considerado mais avançado.
O Ministério de Minas da Índia lidera as discussões. A agenda internacional deve ganhar novo impulso com a visita do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, prevista para o início de março, quando são esperados acordos nas áreas de urânio, energia, minerais críticos e inteligência artificial.
Procuradas, autoridades da Índia, do Brasil e do Canadá evitaram comentar detalhes das negociações. Representações diplomáticas da França e da Holanda também adotaram postura reservada.
Nos últimos anos, a Índia tem ampliado significativamente sua presença global no setor mineral. O país já firmou parcerias com Argentina, Austrália e Japão e mantém diálogos com Peru e Chile para acordos mais amplos que incluem minerais estratégicos. Em 2023, o governo indiano classificou mais de 20 minerais — entre eles o lítio — como críticos para o desenvolvimento industrial, a infraestrutura e os objetivos climáticos do país.
A ofensiva indiana ocorre em paralelo às discussões entre países do G7 e outras grandes economias sobre a redução da dependência mundial das terras raras chinesas, tema que ganhou destaque em reuniões recentes em Washington. Nesse cenário, a Índia busca se posicionar como um ator central na reorganização das cadeias globais de suprimentos estratégicos







































































