A Embaixada da Índia no Brasil foi cenário, na noite desta quarta-feira (28), de uma celebração que colocou os holofotes sobre uma das manifestações culturais mais influentes do país asiático: o cinema. A iniciativa partiu do embaixador Dinesh Bhatia, que reuniu convidados para uma recepção especial dedicada à força, à diversidade e ao alcance global da indústria cinematográfica indiana — hoje reconhecida como a maior do mundo em volume de produção.

Mais do que um encontro cultural, o evento assumiu contornos de diplomacia cultural ativa, ao aproximar Brasil e Índia por meio da arte, da criatividade e do audiovisual, um setor cada vez mais estratégico para o intercâmbio entre duas grandes democracias.
Uma viagem pelo cinema indiano
Convidado pelo embaixador, o jornalista e apresentador Fred Ferreira — âncora e editor-executivo do Bom Dia DF, da TV Globo Brasília — conduziu a apresentação “Celebrando o Cinema Indiano”. Com domínio do tema e linguagem acessível, Fred apresentou ao público um panorama histórico e contemporâneo da produção cinematográfica da Índia.
“Para se ter uma dimensão dessa indústria, todos os anos o cinema indiano aprova mais de 1.500 filmes, produzidos em mais de 20 idiomas, que alcançam audiências não só em todo o subcontinente, mas também em mais de 90 países”, destacou. Segundo ele, essas produções, em conjunto, atraem bilhões de espectadores e movimentam cifras igualmente bilionárias, consolidando a Índia como a maior potência mundial do cinema em número de títulos lançados.
Muito além de Bollywood
Durante a apresentação, Fred Ferreira fez questão de desconstruir a ideia de que o cinema indiano se resume a Bollywood. Trata-se, na verdade, de uma indústria plural, formada por diferentes polos regionais, estilos narrativos próprios e produções que refletem as transformações sociais, políticas e culturais do país ao longo das décadas.
Trechos audiovisuais exibidos ao público evidenciaram essa diversidade, marcada pela combinação de música, dança, drama, ação e crítica social. “A embaixada oferece hoje um vislumbre desse universo por meio da música, do movimento e das imagens. Muitos aqui atuam no audiovisual e sabem o poder que a imagem tem de conquistar e de criar pontes culturais”, afirmou.
O cinema como espelho da sociedade
Ao contextualizar a evolução histórica do cinema indiano, Fred lembrou que, por muitos anos, os filmes priorizavam narrativas mais leves, com romances e canções. A partir da década de 1970, no entanto, o cinema passou a dialogar de forma mais direta com as tensões sociais do país.
Nesse período, ganharam destaque personagens mais complexos e contestadores, simbolizados por atores como Amitabh Bachchan, em roteiros assinados pela dupla Salim–Javed. Clássicos como Sholay, Deewaar e Trishul marcaram o surgimento do chamado “herói rebelde”, figura que refletia frustrações, conflitos e aspirações da sociedade indiana daquele momento histórico.
Já nas décadas de 1990 e 2000, o cinema da Índia ampliou ainda mais sua presença internacional, equilibrando grandes produções comerciais, narrativas familiares e obras autorais, até se consolidar como um fenômeno cultural de alcance planetário.
Índia e Brasil: laços culturais em construção
Em sua fala, o embaixador Dinesh Bhatia destacou que a relação entre Índia e Brasil ainda é frequentemente associada ao comércio e à economia, mas que existe um vasto campo a ser explorado no intercâmbio cultural. “São dois países que nem sempre falam de cultura com a intensidade que deveriam. Esse vínculo pode — e deve — ser fortalecido”, afirmou.
O embaixador lembrou ainda a existência de um acordo de coprodução cinematográfica entre os dois países, que abre oportunidades concretas para projetos conjuntos. Segundo ele, o Brasil reúne características singulares para atrair produções indianas, graças à diversidade de paisagens, territórios e cenários naturais. “Tradicionalmente, os produtores indianos escolhem países europeus, como a Suíça, para filmagens. Trazer essas produções para o Brasil é um desafio, inclusive pela distância, mas é um desafio que vale a pena enfrentar”, disse, ao convocar a imprensa e o setor cultural a ajudarem na divulgação dessa possibilidade.
Música, dança e celebração
A celebração foi encerrada com um jantar especial, acompanhado por apresentações de música e dança tradicionais indianas, interpretadas por artistas profissionais vindos da Índia. O espetáculo envolveu o público com coreografias vibrantes, figurinos coloridos e ritmos marcantes, traduzindo no palco a essência do cinema indiano: emoção, movimento e celebração da vida.
Mais do que uma homenagem à sétima arte, a noite reafirmou o cinema como uma poderosa ferramenta de diálogo cultural, capaz de aproximar povos, ampliar horizontes e fortalecer relações entre nações.










































































