O governo francês sinalizou que, neste momento, não pretende aderir ao chamado “Conselho de Paz” proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A posição foi confirmada por fontes próximas ao presidente Emmanuel Macron em declaração à AFP, indicando que Paris não vê, por ora, condições para uma resposta positiva ao convite.
A iniciativa da Casa Branca prevê a criação de um conselho internacional sob a presidência direta de Trump. Convites já foram enviados a diversos líderes globais, entre eles o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Embora o órgão tenha sido apresentado inicialmente como um mecanismo para acompanhar a reconstrução da Faixa de Gaza, devastada por quase dois anos de conflito, documentos internos consultados pela AFP apontam que o escopo do Conselho de Paz é mais amplo. Segundo essas informações, a atuação do grupo não estaria restrita apenas ao território palestino, o que gerou desconforto em Paris.
De acordo com uma fonte ligada ao Palácio do Eliseu, o formato proposto “ultrapassa claramente o enquadramento específico de Gaza”, divergindo das expectativas iniciais do governo francês. A mesma fonte ressaltou que a França mantém como prioridade a defesa de um cessar-fogo duradouro no enclave palestino e acompanha com cautela qualquer iniciativa que altere esse foco.
Ainda segundo o entorno de Macron, a proposta americana suscita questionamentos relevantes, sobretudo no que se refere ao funcionamento do sistema multilateral e ao papel das Nações Unidas. “Há preocupações sérias sobre princípios fundamentais e sobre a própria arquitetura da ONU, que não podem ser relativizados ou colocados em xeque”, afirmou a fonte.
Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores da França já havia reafirmado o compromisso histórico do país — membro permanente do Conselho de Segurança da ONU — com a Carta das Nações Unidas. Para a diplomacia francesa, o documento permanece como base indispensável de um multilateralismo efetivo, sustentado pelo direito internacional, pela igualdade soberana entre os Estados e pela resolução pacífica de conflitos.
A chancelaria destacou ainda que esse modelo multilateral deve prevalecer sobre decisões unilaterais, relações de força ou iniciativas que possam enfraquecer os mecanismos internacionais existentes, especialmente em um cenário global marcado por instabilidade e conflitos armados.







































































