O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou as ameaças de aliados do senador Flávio Bolsonaro de promover mudanças no corpo diplomático brasileiro em caso de vitória do candidato no segundo turno das eleições presidenciais. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o chanceler também classificou como “péssima” a proposta de estabelecer uma equipe de transição que coordene posições com o governo dos Estados Unidos antes de uma eventual mudança de governo.
Ao comentar as declarações de Eduardo Bolsonaro sobre uma possível “faxina” no Itamaraty, Vieira defendeu o diálogo como princípio das relações democráticas. Segundo o ministro, ameaças a diplomatas não são compatíveis com a prática democrática, que deve priorizar a negociação e a interlocução institucional.
O chanceler também manifestou preocupação com iniciativas que possam enfraquecer a estrutura do Ministério das Relações Exteriores. Para ele, o Itamaraty é uma instituição de Estado, responsável pela condução da política externa brasileira independentemente do governo em exercício.
Críticas à proposta de articulação com Washington
Outro ponto abordado na entrevista foi a possibilidade de Flávio Bolsonaro criar uma equipe para coordenar posições com os Estados Unidos caso vença a disputa presidencial. Vieira afirmou que, ao longo de seus 50 anos de carreira diplomática, não havia visto uma iniciativa semelhante.
O ministro ressaltou que os processos de transição costumam ocorrer entre o governo que deixa o poder e aquele que assume. Na avaliação de Vieira, envolver diretamente um governo estrangeiro nesse procedimento seria um sinal preocupante para a autonomia brasileira nas decisões de política externa.
Soberania e relações internacionais
Durante a conversa, Mauro Vieira também comentou a atuação de representantes do governo de Donald Trump no contexto eleitoral brasileiro. O chanceler afirmou que integrantes da administração americana demonstraram posicionamento na disputa, mas ressaltou que cabe aos eleitores brasileiros avaliar se houve interferência no processo.
Vieira ainda destacou a importância de preservar a estrutura profissional do serviço exterior e de manter a atuação diplomática orientada pelos interesses nacionais. Segundo ele, eventuais mudanças na organização do Itamaraty devem considerar o papel institucional do ministério e a continuidade das relações internacionais do Brasil.
As declarações ocorrem em meio ao debate eleitoral sobre os rumos da política externa brasileira, a relação com Washington e o papel do corpo diplomático em um eventual novo governo.




























































